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O IRARAÍSMO, A IRARAICIDADE, NESGAS DO PARAÍSO
Houve momentos que foram um verdadeiro sonho. Extraio dois excertos: 1) Ouvir o som em que a Banda 25 de Dezembro conseguiu transformar o que eu, Carlos Antunes e Rui tínhamos escrito na peça que, com o título de Renato, Filho de Dona Ceci, é muito significativa para mim. Porque d. Ceci ensinou catecismo a mim e a minha irmã Marita e porque Renato, que praticava uma espécie de escola peripatética ao estilo de Aristóteles, atalhava a inocência da minha cabeça com insinuantes provocações à prática do pensamento cognitivo. Isso é importante em minha música, já que na maioria das vezes eu não trabalho para o contemplativo das platéias, me voltando mais para o lado cartesiano. O que leva ao segundo momento: 2) Há horas em que o próprio cognitivo se torna emoção. Agora já estou no palco, no dia do show. No momento em que o violão é despedaçado, tendo suas partes usadas como percussão ou como corpo de mulher sobreposto ao meu, nos instantes em que a plateia “decifra” esses signos. Nesse minuto o povo mais simples consegue o milagre da intuição de fina inteligência; exatamente então, durante o show, levantou-se uma forma de aplauso que não eram nem palmas nem gritos, as formas mais usuais. O que correu no ar foi um murmúrio das entranhas do pensamento mais recôndito da inteligência da criatura do interior, que, sendo muito forte, praticamente galvanizou o ar e o espaço-tempo entre o palco e a plateia. Agora uma terceira coisa, que foi o encontro com a paisagem, com o azul do céu no horizonte, com as ruas novas, nos percursos para a casa de Édson, com as criaturas por vezes sentadas na porta, em ruas que eu nunca conhecera, em casas que vieram depois de mim. Eu olhava pra aquelas pessoas pensando quais seriam as aspirações religiosas e profanas que as fariam iguais a mim e a meu tempo pretérito. Também o encontro com Dega de Bráulio, com Nilza e Antonio de Neca, com Almeida e Dinalva, com aquelas pessoas citadas na canção Irará Irá Lá, Marle e Edi, Toteia, Nola, Tonho Luiz, Virgínia, Val, esses que foram companheiros de minha juventude e também os novos, como João Martins, Edson Barbosa - Edinho, Diógenes Barbosa Gonçalves, Roberto Martins, Cacau, Capita e Guilherme, que organizaram com muita audácia um evento tão trabalhoso. São capacidades que eu invejo. Também foi uma bênção estabelecer contato com a família de Renato, dr. Deraldo, Angélica. Com todas aquelas pessoas que estavam tanto na sede da 25 na 6ª. feira como no show de sábado. Sem falar na Charanga da Chegada, merecedora de maiúsculas, rodeada pelas crianças das escolas, e na Dança da Chegança, os integrantes vestidos de azul e branco. Há anos estou atrás da chegança e espero continuar mantendo contato com o pessoal. Na emoção do espetáculo eu esqueci de agradecer ao prefeito, ao organismo que representa os plantadores e que organiza a Feira da Mandioca. Enfim, a bênção de me ser oferecida a felicidade de ter nascido aí em Irará e de me transformar, com essa atividade obsessiva, em uma espécie de antena que tenta adivinhar todas as cabeças.
Escrito por Tom Zé às 10h38
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SHOW EM IRARÁ PELO CORRESPONDENTE DO BLOG DJENAL
Show de Tom Zé em Irará Ir de Aracaju para Irará/Ba não é propriamente o que se chamaria de “dar um pulinho logo ali”. São cerca de 250 km de viagem pela maravilhosa BR 101, e mais um trecho final de 50 km, entre Alagoinhas e Irará, que de tão bucólico que é, tem animais passeando calmamente na pista em meio à neblina, não é asfaltado, nem tem sinalização alguma. É preciso então um motivo especialíssimo pra encarar esse rali, e um show de Tom Zé em sua venerada terra natal, após 18 anos sem tocar lá, é bem mais que isso. É uma obrigação para um devoto de Tom, como eu. É conhecer pessoalmente Tom Zé e a Irará de sonhos dele. Tom é Irará em movimento. Irará é Tom Zé com pavimento. Irará tem Dida no gol e Tom Zé no ataque. Tem abacaxi e mandioca. Irará, pra Tom Zé, é um filme de arte que passa o tempo todo na sua cabeça. É como Madri pra Almodovar, como Nova Iorque pra Wood Allen. Essa chance não dava pra deixar passar nem que a vaca da estrada tossisse. Em nosso pit stop para abastecimento e troca de pneus em Alagoinhas, um grande amigo que reside lá, Miguelito da Bahia, nos disse que, de sua cidade pra Irará, a estrada é um “tapetinho persa... um luxo”. Mas alertou ele: “Só deve se preocupar com duas curvinhas. Curvinhas estas, porém, responsáveis pela viuvez de quase metade da população de Aramari e Ouriçangas”, municípios que ficam no meio do caminho. Mas nada como ter um compadre com doutorado na mais nobre arte das antiderrapagens, o Adriano Bonfim, meu fiel parceiro e anjo da guarda (só bebe água e guaraná), para me fazer companhia numa hora dessas, e de quebra tirar aquelas fotos bacanas que só ele sabe tirar. Quando chegamos na Atenas de Tom Zé, de cima do palco, o mestre já passava o som, música por música, sob a serenidade atenciosa de Dona Neusa, sua esposa e musa. Apresentamo-nos a ela, que nos recebeu com um afetuoso abraço de velhos amigos que acabavam de se conhecer: “Meninos, vocês vieram mesmo! Vocês não acham que o som está muito alto? Que é que vocês acham?”. Bem, ir pra um show de Tom Zé e ainda dar pitaco na altura do som já é demais né Dona Neusa? Ficamos caladinhos. Estava tudo perfeito. Fomos apresentados ao Secretário Municipal Guilherme Souza, que cuidava pessoalmente dos detalhes da produção do show. Só um detalhe a ser registrado, Guilherme é Secretário da Agricultura! Com certeza teremos que voltar brevemente pra Irará, para a posse do Guilherme como Secretário Municipal da Agro e Cultura. Enquanto aguardávamos o início do show, os alto-falantes da praça só tocavam arrocha, axé e forró mecânico. E tome o povo a rebolar lá embaixo! Valei-me minha Nossa Senhora dos Tropicalistas Enterrados Vivos! O que será que espera por Tom Zé quando ele começar o show! Depois de quatro músicas só vamos sobrar eu, Adriano e Dona Neusa aqui na praça. Preciso arranjar urgentemente um dominó. E o show finalmente começa. Tom Zé mostra a que veio e por que é tão idolatrado no mundo todo. O show que faz na Europa ele fez em Irará. O som e a iluminação estavam dignos de um Rock’n’Rio. Tom Zé leva Irará pra qualquer lugar que vá, e pra Irará trouxe o resto do mundo todinho junto com ele. Tom fazia-se entender perfeitamente ali, entre seu povo. Falam a mesma língua, esses iraraenses! Todos os olhos voltados para ele. Eis a manifestação da genialidade passeando na minha frente. É todo um preconceito meu que se espatifa no chão ferindo meu pé. Um olhar mais atento veria Zé Popô e Dona Melânia dançando no meio da multidão, soltando foguetes e balançando bandeiras. Mais que isso, o olhar apaixonado de Dona Neusa para o marido, como que dizendo: “Não é que tudo que ele faz dá certo!” É um show à parte que tivemos a honra de presenciar. E sobre o show propriamente dito, o que posso falar? Falo dos pontos altos que tocaram o coração do “rebanho de vagabundos” que estávamos lá: além de tocar a nova e sensacional versão de “Abacaxi de Irará”, e de contar com um coral emocionado de toda a cidade na “Lavagem da Igreja...”, Tom nos presentou com uma nova música (que nem sei o nome, e nem sei se ele já teve tempo de colocar), mas que provisoriamente teremos a ousadia de chamar de “Passinho de Irará”, onde homenageou nominalmente um bocado dos amigos da sua terra. Depois disso tudo só resta uma pergunta a fazer. Nesses anos todos, quem mudou mais? Tom Zé ou Irará? Só ele pode responder. Uma coisa é certa, todos lá cantam no mesmo Tom. Texto: Djenal Gonçalves Filho Fotos: Adriano Bonfim Fãs de carteirinha
Escrito por Tom Zé às 12h39
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Djenal em Irará
 Terminada a passagem de som, Tom Zé e Djenal se encontrando em Irará
Escrito por Tom Zé às 13h26
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INDO PARA IRARÁ
Indo para o aeroporto - São Paulo, Salvador, destino Irará. É como um sonho, rever aqueles amigos de tanto tempo e tão queridos e outros há pouco conhecidos. O show será sábado. Mostrar o que faço, que é muito inspirado pela minha cidade, será outro sonho. Espero que o povo goste. No mais, vamos ver se dá para cumprir ao menos metade da agenda, que está bem exigente. Assim que puder, voltarei lá para conversar e conviver com aquela gente tão querida. Até já, Irará.
Escrito por Tom Zé às 08h27
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PÚBLICO PREMIOU O FILME
Pessoal, "Tom Zé - Astronauta Libertado", dirigido por Ígor Iglesias González, Espanha, foi escolhido pelo público da Mostra Internacional de Cinema - São Paulo como o melhor documentário estrangeiro. Legal, terem votado com entusiasmo. Ouvi um comentário: por que a nota máxima só pode ser 5? quero muito mais do que isso; no mínimo! As loas vão para Ígor, o diretor. Como comentou Cunha Júnior, do "Metrópolis" da Cultura, ele tem estilo. Hoje é a exibição final no Cine Bombril, Av. Paulista, Conjunto Nacional. Será às 10 da noite. Pra deixar nosso blog comunitário mais contente só falta terminar a leitura conjunta do livro de Tatit. Falta-me terra aos pés, como dizia meu avô, pensando que estes tempos recentes não me permitiram fazer isso. vi que Emerson já acabou de ler, nos deixando quase órfãos. Espero que não órfãos dos comentários dele, que nascem da vivência musical. Voltando de Irará tomo as providências leitoras. Cinematográficas já tomei, contando a vocês a novidade. Que Bê já sabia. Abraço, saudade. Tom Zé - depois falo da Jornada Literária de Passo Fundo, que teve charme e um calor de perto de 40 graus, em pleno Rio Grande do Sul.
Escrito por Tom Zé às 14h33
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NATALIDADE E O PAPA: A PROPÓSITO,
Entre os e.mails recebidos passo a vocês estes dois comentários suscitados pelo quadro opinativo do programa de tv de que participei no sábado, o "Raul Gil". Só discutir o assunto já valeu a pena e é uma esperança, uma requalificação positiva da vida. Agradeço a todos que escreveram. Entre as profissões de fé deste planeta, quase todas observando suas próprias escrituras, todas merecem observação e estudo. O que os homens fazem com ela é a questão. Vamos agora para os dois e.mails contrastantes, para vocês verem: Olá , Tom Zé Me chamo Lucas, tenho 22 anos, e assisti o final de sua participação no programa de Raul Gil, no " Para quem você tira o chapéu". Foi muito infeliz de sua parte não tirar o chapéu para o Papa Bento XVI. Não que fosse obrigado a tirar, o Papa não é unanimidade. Mas pelo motivo que o senhor apontou, afirmando que o Papa Bento XVI não permite que se divulgue entre as famílias metódos de controle de natalidade. O que a Igreja sempre lutou e permita Deus continue lutando é contra os métodos contraceptivos, como camisinha, pílulas (que vários cientistas afirmam serem prejudiciais e abortivas), etc. Mas, a Igreja divulga um metódo NATURAL de se fazer isso, e com EFICIÊNCIA, pena que o senhor, não conhece. Esse método é conhecido como MÉTODO BILLINGS. Segue a baixo, um pouco sobre esse método, para que o senhor, numa outra oportunidade, possa conhecer sobre o assunto antes de tirar conclusões e ir logo atacando a qualquer um. Confesso, Não o conhecia muito bem; apesar dos meus 4 ponto 7 amanhã, gostaria de lhe dar os "PARABÉNS": -Por sua inteligência tão bem retratada no popular "Programa Raul Gil", onde o povo precisa ouvir e entender o quê se passa em nosso País. Moro em Bsb-DF(Asa Sul), bem no início...perto do Poder"; e até passo pela Esplanada prá ir ao trabalho. Sustento uma casa, criei 2 filhas sozinha; hj universitárias e estagiando(o pai, que fui casada por 9 anos, é um grande Empresário aqui); mas nunca ajudou em nada muito menos na educação. Vou te contar uma coisa. Qdo me separei, há 20 anos atrás, me acharam burrapor largar todo aquele patrimônio prá recomeçar. Não sabia o que era ser mãe; ensinar minhas filhas serem "espertas" ou "verdadeiras", apesar de sofrer conseqüências até hj, sou filha de Cel Militar, pedi então a Deus prá me ensinar e que me usasse de instrumento. Optei pele verdade, hj elas tem, educação, somos uma famíla de 3, com mais os 2 agregados namorados, caráter, alegria e amigos. Optei pela verdade. Enfim; gostaria de esclarecer que concordo c/ suas palavras e que "entre a bondade e a verdade"..., ainda não desisti. E qto a família, é nossa base. Continue assim. Vou continuar fazendo minha parte ok? Obrigada D. B. P. |
Escrito por Tom Zé às 09h05
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DIA 14, SHOW EM IRARÁ
IRARÁ: Há um encanto, um mistério atado ao futuro nessa palavra, que parece contaminar todas as relações pessoais, todos os tratos com o divino, toda a força subterrânea que move o coração de cada pessoa, das humildes às poderosas. Isso cria um tipo de amor que contém uma promessa, uma devoção com o devir. O encontro com essa corrente com que eu vou me defrontar em 14 de novembro é para mim, ao mesmo tempo, véspera de Natal e coração assustado. É assim que estarei no palco, com minha banda, na Feira da Mandioca de Irará, esperando fazer de mim uma farinha tão boa quanto a que aí se fabrica. Conto depois sobre o Prêmio Bravo! de ontem, segunda-feira. Irará tomou a frente das novidades.
Escrito por Tom Zé às 16h23
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MOSTRA CINEMA SP, FILME, VÃO LÁ!
Então, o trato é, primeiro, nos vermos sexta-feira no show dos professores lá em Guarulhos. Cristina (Crica) disse que vai; até breve, Crica, tão doce e tão encrenqueira, como diria Mário Faustino, você se lembra? "Tanta violência / mas tanta ternura." Fala de alguém, do Che?, que não conseguiu firmar o nobre pacto entre o cosmo sangrento e a mente impura, e no fim vem essa rima, tanta violência mas tanta ternura. E aí, no sábado, estreia no Cinesesc, às 7 e 20 da noite, o filme "Tom Zé - Astronauta Libertado", da Espanha, quem fez foi um jovem chamado Ígor Iglesias González, com uma fúria digna de seu antepassado manchego, El Quijote. Depois vocês me dizem. Entendo quando Fabrício fica danado com adjetivos. Eventualmente eles´ambém me incomodam. Mas nas mais de sete décadas passadas sobre este planeta, eu convivo com um fundo barroco espesso de doce em calda, misturado com a secura agreste daquele sertão baiano, da terra sem água. É uma luta. São petelecos, choques, e não quero me livrar disso para tentar assumir uma linguagem que não é a minha, de quase-jornalismo. Comento o caso embora ninguém tenha jogado os pratos pra cima de mim, não; achei interessante o comentário do menino. Voltando ao filme, aqui embaixo, no térreo, estão horários e cinemas. Bê, fui sim a BAires fazer o show sábado, num superparque com banda tocando de todo o lado, uma ouvindo a outra, um vazamento digno de fábula holandesa - falo da história dum menino que segurou um buraquinho num dique com o polegar, durante uma noite toda. Quem estava mais perto e conseguiu ouvir ficou bem animado. Voltando à Mostra de Cinema: Filme na 33ª Mostra Internacional de Cinema TOM ZÉ - ASTRONAUTA LIBERTADO, de Ígor Iglesias González (90'). ESPANHA. Falado em português e espanhol. Legendas em português. Indicado para: 14 ANOS. CINESESC 24/10/2009 - 19:20 (Sábado) CINEMA DA VILA 27/10/2009 - 19:50 (Terça) ESPAÇO UNIBANCO POMPÉIA 10 30/10/2009 - 22:10 (Sexta) CINE BOMBRIL 1 31/10/2009 - 12:00 (Sábado) 
Escrito por Tom Zé às 15h42
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Festivais, shows, chuva não calamitosa
Já contei que vou pra Argentina prum festival chamado Personal Fest. Show sábado. Com minha distância da chamada cena, conto depois como pareciam as bandas que não conheço. No dia 21, um ensaio brabo, demorado, aqui no Brooklin, São Paulo. Para o Prêmio Bravo!, que ganhei há alguns anos. Desta vez participarei da premiação cantando São São Paulo em arranjo novo, com orquestra e dois músicos da banda, Daniel Maia e Jarbas Mariz. Lá vou eu falando de show fechado, agora já falei. Esse show será no dia 26, na Sala São Paulo. A temática são os festivais de música de há tempo. Agora disse tudo, nunca tinha feito isso, essa desobediência incivil. Agora já foi, contei. No dia 23, show em Guarulhos, para os professores. Olha aí vocês discutindo de novo o merecimento da gratidão que tenho pelos professores, notadamene, pelos meus. Por todos que têm o jeito precioso de contribuir, de fazer. Os que, segundo Fabrício, não são assim, não são professores, ora se! E estou mergulhado, às 5 e meia da tarde, na prata que banha o ar, no chamado mau tempo paulistano. Mau tempo o quê, rapaz? Se fosse no Nordeste, ia ter gente ajoelhada agradecendo pela água que vem. Mas lembro agora que Euclides (da Cunha) só falta chamar certa chuva que varre o sertão esporadicamente de calamitosa: parece não ser absorvida pelo solo, são bofetões líquidos que não se casam com a terra. Deixo disso e curto o bom tempo paulistano, que dia lindo, prateando prédios. Até, pessoal.
Escrito por Tom Zé às 17h35
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Aniversário, Argentina e os professores
Pessoal, muito obrigado aos que escreveram no blog, fora do blog, aos que se encontram comigo e estão mandando parabéns de uma semana a esta parte, como diria Décio Pignatari. Adorei os recados,mensagens, abraços. Estou completamente pregado, fazendo 73 anos numa semana em que só faltou chover pra cima... boa idéia, chover pra cima... Bom, há o tal gêiser, não é? Vou à Argentina para um festival no sábado, em Buenos Aires, e chegam reclamações sobre o lugar e o preço do ingresso, meninos, atuar contra quem há de? Eu, contratado, não tenho atuação nisso. Adoraria campo aberto, e espero que vocês vão, que possam ir. O horário, no sábado, é lá pelas 7 da noite, depois deve ter banda de som pesado, a gradação estética costuma ser essa. O público argentino me recebe bem, não noto o folclore de chumbo trocado entre nossos países. Vizinho, se facilitar, projeta no outro encrencas muitas. Somos próximos, e para amar o próximo até mandamentos divinos tiveram de ser estabelecidos. Ao voltar, vou, sim, a Guarulhos no dia 23, em show para o Sindicato dos Professores. Incluo no aviso as discussões acontecidas aqui. Sempre digo que os professores me salvaram a vida. Belmira, uma professora exigente e temida, negra magrinha, preveniu que precisávamos estudar porque de entre nós sairiam os futuros poetas, escritores. Caí no vácuo, até então só tinha aprendido que não podia ser grande coisa - ensinamentos ao contrário, familiares e outros. Belmira me colocou no mundo da possibilidade atada ao trabalho pessoal. Ela e outros fizeram o milagre. Crescido, fui à Universidade de Música da Bahia, só depois de trinta anos de casado contei para minha mulher, Neusa, que tinha passado em primeiro lugar no vestibular e ela perguntou por que não conto isso. Comecei a prestar atenção no assunto e conto aqui. Pois bem, nas aulas de Contraponto - espíritos-de-porco diziam que era complicado, que eu não aprenderia e foi uma das disciplinas que mais me interessaram -, de Composição, enfim, deixemos tanto currículo, os professores maravilhosos, uns europeus tinhosos, como Koellreutter, Ernst Widmer..., continuaram o que Belmira começou. Um serviço de me trazer à sociedade das pessoas humanas. Felizmente nenhum deles me desiludiu com o esnobismo de que se queixa Fabrício. Fico preocupado com as carências que isso pode provocar. Esnobismo eu já tinha recebido fora da escola, aos montes. Não precisei completar o pacote intramuros escolares. Esse show em Guarulhos, no dia 23, creio que é às 20h, estou longe da agenda, por favor, rebanho de vagabundos querido, confirmem, serviu desde já pra eu lembrar essas histórias pessoais. Enquanto faço 73 anos, neste 11 de outubro, num domingo paulistano, amarcord. Abraços amorosos, obrigado.
Escrito por Tom Zé às 09h13
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POR QUE NÃO NA RODA ACADÊMICA
A você que escreveu deixando endereço virtual, dizendo que eu deveria ter mergulhado mais no ambiente acadêmico da palestra, agradeço contribuir para uma pequena discussão. Sempre prefiro não me servir da relativa popularidade - é relativa - do que faço, quando há professores no quadro preferencial. Risério não é professor, é um dos raros, acredito, que sobrevive como ensaísta. Ensina por escrito ou, talvez, em palestras. Estou lendo um livro dele, A utopia brasileira e os movimentos negros, que toca em problemas geralmente descartados quando se discute raça e racismo. Me disseram que há erros. Se houver, serão erros fecundos, os que escreverem depois se beneficiarão deles. Santuza é professora conhecida e reconhecida. Professores são desmerecidos, degradados. Não costumo lutar por espaço com eles, me servindo dessa relativa popularidade. Quando me chamam para uma fala e aceito, eu falo. Ali, eu participaria de uma roda, querendo ouvir o que os dois, Santuza e Risério, tinham a dizer. E eles têm muito a dizer, prepararam sua fala. Falei depois, calcado na experiência pessoal e fiz o pequeno show marcado, com Cristina Carneiro, Daniel Maia e Luanda. Ali estava o meu discurso - cantado. Talvez mais do que no tempo que passei falando, depois dos dois palestrantes. Até o menino inteligente de BH que fala aqui no blog tocando com dor e raiva na matéria racial verberou contra os professores, recentemente. Mas se estamos todos do mesmo lado: pretos, mestiços, professores, pobres. As nuances que sejam estudadas, mas a exclusão pega a todos. Será que o menino sente os professores como excludentes? Botou neles o chapéu de autoridade. Que lhes caberia bem, no sentido harendtiano. Mas de privilegiados? Não sei se o chapéu se ajusta, ao menos não com muitos professores que conheço. Será que há isso, de fazer do conhecimento uma moeda opressiva? Desconheço esse luxo, se há é uma distorção braba. Em jornalismo cultural vi esse esnobismo, desde que me entendo. Em sala de aula ele existe? É, meu caro, voltando a lhe responder, talvez eu devesse me sentir mais à vontade, assumir mais responsabilidade falando no círculo geral de uma mesa redonda. Eu cantaria depois e o que faço cantando é produto de um pensamento que vai para a composição, para os arranjos, para o canto. Se bem ou malfeito, é assunto para outras considerações. Até o Rio e a Casa do Saber. Rodrigo reapareceu. Rodrigo, foi uma bobagem minha eu não falar aqui no blog da entrevista, para colaborar com seu programa, poderia ter sido ouvido por mais pessoas. Quando houver uma coisa dessas, informem pelo menos nos comentários. Ajuda. Abraço a você, a vocês.
Escrito por Tom Zé às 17h37
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NA PUC, ONTEM À NOITE
Vim do Rio e volto pra lá 2a. feira, para a Casa do Saber, às 8 da noite, falando sobre música e sobre o filme "Palavra Encantada". Não sou tuíter, e isso de alguém seguindo alguém parece filme noir ou de ação, como quiserem. Se encontrar vocês, ótimo. Soube que você esteve lá na PUC ontem, e sem chapéu, segundo as últimas informações, Émerson. Se nos virmos na Casa do Saber, será bem-vindo, esse hífen no bem-vindo deixa o bem-vir mais expressivo. Gramáticos que me desculpem. As intervenções organizadas de Santuza Naves e de Antonio Risério sofreram de pouco tempo. Santuza tinha uma pauta ambiciosa, e os 20 minutos não poderiam dar conta dela. Quando se fala em movimentos musicais diversificados e abrangentes é inevitável que o tropicalismo dê algumas cartas. Foi o que aconteceu. Me lembro do Partido-Ônibus de FHC para franquear entrada a quem quisesse ingressar no (antigo) pmdb. E me lembro de Risério - no livro dele sobre a Utopia Brasileira, não na palestra - falando que estômago de avestruz, engolir tudo, não é aceitável. E não é. O que aceita tudo é história. Não é estética. Risério parecia sentir-se meio gauche pois não acha música popular um... como é que ele chama? Vou chamar de eixo centralizador de assuntos brasileiros, tá? Ele não a considera, meus negos, um território privilegiado para as nossas questões. Mesmo assim, lembrou-se de Caymmi e de Luiz Gonzaga, pondo-os como parâmetros. Caymmi é parâmetro para a maioria das musicalizações de qualidade brasileiras. Ele é medida. Me sinto pouco e insuficiente para falar junto desses acadêmicos empenhados, cuja práxis é outra. Por isso comecei com uma fala curta, referente à minha vivência e ao meu momento, e terminei com uma dança dialógica - isto é uma metáfora -, Risério, generoso, disse que adorou. Ele é muito bom. E ajudei Santuza a manejar o microfone. Me dá animação ver vocês, moleques, jovens, reunidos para falar de questões de nossa convivência como país. Vamos ver o que acontecerá na segunda-feira. Abraços, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 16h16
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Rio de Janeiro, com trio musical, Risério, Santuza, Frederico
Do jeito que coloquei o título, parece que Antonio Risério, Santuza Naves e Frederico Coelho, eméritos especialistas em música e entornos, são o trio musical com o qual me apresentarei no Rio, no Campus da PUC, Gávea, depois de amanhã, 5a. feira, dia 1o., às 16h30 (mesa-redonda) e 18h30 (pocket show, com Daniel Maia, Cristina Carneiro e Luanda, esses sim, trio musical propriamente dito). A programação é esta: 1, quinta-feira Campus da PUC (Gávea), Auditório informações. (21) 3527 - 1140. Rio de Janeiro - RJ 16h30 - Mesa redonda "Música e Imaginário Nacional" com o poeta e ensaísta Antonio Risério; a antropóloga Santuza Cambraia Neves; Tom Zé; mediação do estudioso de música Frederico Coelho.
18h30 às 19h - Apresentação musical Tom Zé e trio: Daniel Maia (guitarra, violão e vocal), Cristina Carneiro (teclados e vocal), Luanda (vocal). Estou lendo um livro de Antonio Risério, "Utopia Brasileira e Movimentos Negros", talvez eu tenha engolido algum artigo no título. O que importa é o desassombro com que Risério, pensador forte, pensa a questão racial do Brasil,negada, cercada de engatinhamentos. Engatinhamos para tratar a questão e, até nelas, a influência de nossos irmãos do Norte - não falo de Pará ou Natal, e sim dos E.U.A. - se faz muito presente. Como é mais uma leitura em voz alta que fazemos agora em casa, há um benéfico tempo de reflexão entre as palavras, uma vírgula é uma ponte. Noutro dia falo mais. Até logo, abraço. Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 14h42
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TATIT/CRIS, DISCUSSÃO CURTA, GAROTA DE IPANEMA
Capítulo O nó do século, bossa nova e tropicalismo Pra quem chegou agora, estamos lendo juntos o livro de Luiz Tatit O século da canção, chegando à página 177. Vamos lá; o texto de Luiz Tatit figura em itálico, palpites meus, em letra comum. Espero que Cris já tenha se recuperado da análise de "Garota de Ipanema", com seu humor de peixe-serra, que corta mas mergulha bem. 177 – Quem revelou ao país a existência dessa medula cancional que tentamos representar no esquema do capítulo anterior foi João Gilberto ... [que incluiu] no repertório ... de seus 3 primeiros lps ... canções ... antigas, ... quase todas ... da vertente samba-samba. ... Morena boca de ouro, Bolinha de papel, Rosa morena, Samba da minha terra e Saudade da Bahia. 178 – Tom Jobim, mais centrado na composição de um novo repertório para a música brasileira ... também incluiu em seu projeto musical a revitalização ... do samba-samba. ... compôs Só danço samba, Garota de Ipanema, Só tinha de ser com você ... [cujos] procedimentos de interação entre melodia e letra lembram ... os dos sambistas da era de ouro ... 178 – A diferença estava sobretudo na concepção harmônica. Começou a ser notada a diferença entre samba quadrado, rítmica e harmonicamente conhecido, e o samba que importava o cool jazz, a que Tatit faz referência. Estudantes de piano sofriam porque o “de ouvido” ficou mais difícil, os códigos harmônicos ganharam complexidade do dia pra noite. 179 – Uma coisa é a bossa nova como movimento musical – caracterizado como intervenção “intensa” – que dourou por volta de cinco anos (de 1958 a 1963), criou um estilo de canção, um estilo de artista e até um modo de ser que virou marca nacional de civilidade ... Outra coisa é a bossa nova “extensa” que se propagou pelas décadas seguintes, atravessou o milênio e que tem por objetivo nada menos que a construção da “canção absoluta”, aquela que traz dentro de si um pouco de todas as outras compostas no país. 179 - ... ao primeiro gênero pertencem Tom Jobim e João Gilberto ... Vinícius de Moraes e toda a turma da zona sul carioca, de Carlos Lyra a Nara Leão, ... Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Sérgio Ricardo, Silvinha Teles, Chico Feitosa, Marcos Valle ... [e os] precursores Dick Farney, Lúcio Alves, Johnny Alf, ... Os Cariocas ... 179 – bossa nova extensa... : apenas Tom Jobim e João Gilberto. [por extensa referimo-nos] ao projeto de depuração de nossa música, ... triagem estética que se tornou modelo de concisão, eliminação dos excessos, economia de recursos e rendimento artístico. 181 - ... ainda é pouco avaliada a história da bossa nova extensa. Tom Jobim e João Gilberto ... mantiveram incólume o projeto inicial de economia e depuração sonora ... IDENTIDADE E ALTERIDADE 182 - Todo tema está inserido numa sequência melódica à qual se integra por identidade e alteridade ao mesmo tempo. No primeiro caso, todo tema contém traços dos temas precedentes e subseqüentes ... ele é um pouco do que já foi e um pouco do que será. No segundo caso,m todo tema possui uma porção maior ou menor de singularidade que o distingue e o define como um “outro” na corrente melódica. Recorrendo ao grosso modo, valemo-nos de Tatit, que fala em involução melódica no caso do predomínio de identidades, na identidade temos mais permanência. “... um refrão só se define ... quando a canção evolui para uma outra parte e promove ... uma intensa espera pelo seu retorno” (pág. 183) Pg 184 – Nas canções desaceleradas, da vertente do samba-canção, predominam os traços de aleridade. ... alongamento de durações ... expensão do percurso melódico... [que] diluem ... a constituição das células temáticas ou... as orienta para outros (alter) lugares sonoros...[num] sentido de busca que o outro gênero de canções não possui. Pg. 190 – Luiz está analisando identidade/alteridade em Garota de Ipanema. Creio ser a segunda vez em todo o livro, até agora, em que Tatit faz considerações que, embora se liguem ao texto, o levam para fora dele. Diz que uma identidade integral (hipotética) entre sujeito/objeto garantiria plenitude, mas impediriam as tensões que empurram o sujeito para suas metas – para fora. 191 – a identidade (aqui na canção) manifesta-se nos vínculos de atração e desejam... [definindo] entre ambos uma “união a distância”. ... esperança de encontro possível ... [e] distanciamento espacial. Os discretos desdobramentos melódicos [dos] primeiros sementos constituem os signosmusicais dessa separação entre os personagens. Isto é, entre a garota e aquele que a olha, por quem escreve uma canção. Cris, uma correspondente que dá às suas contribuições entusiasmo e impaciência, leu a análise da “Garota” antes de nós e protestou. Aí me lembro de um religioso quando ele resiste ao cientista que disseca a flor para estudá-la. Para esse religioso, flor é perfume e cor, não análise. Ele reprova a divisão atômica praticada pelo cientista. Para Cris, seria como se a canção não fosse mais aquela que ouvimos desde sempre, depois que Tatit lhe comenta a feitura, minuciosamente, em termos de linguagem musical. São visões da mesma canção, do mesmo craque Jobim. Estudei alguns anos na Universidade de Música da Bahia, como vocês sabem. Eu já tinha o vezo da estrutura, da observação do “como” uma obra é feita. Hoje, lendo um conto de Katherine Mansfield, a mestria da escritora, sua solução da feitura do conto, me impressionam tanto quanto as delicadezas descritas, que põem leitores no poço ou no céu, escolham, da emoção. Deixemos Cris, KMansfield e voltemos a Tatit: Que conclui o segmento da “Garota” afirmando que Jobim pôs nela os componentes temáticos, passionais e figurativos dos cancionistas brasileiros do século 20. Preparando o terreno para o desenlace do século. O próximo assunto é o Tropicalismo.
Escrito por Tom Zé às 09h39
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Para a moça que escreveu
Para Karen Antunes, que deve querer distribuir ou lançar música nos Estados Unidos: na ocasião eu soube da intenção, não achamos que haveria muita possibilidade. Antes de tudo, eu não sou senhor de nada. Por favor, me chame de Tom Zé, Karen Antunes. Nos Estados Unidos, a Luaka Bop, selo de David Byrne, tem alguns cds meus, faz um excelente trabalho e lançará, "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza", ainda este ano, possivelmente, aí no seu país, licenciada pela gravadora brasileira que lançou o disco. De meu, tenho um cd "Danç-Êh-Sá", que poderia ser distribuído. Não tenho tempo para lidar pessoalmente com assunto tão difícil. Minha produção trabalha como uma junta de bois para dar conta de todos os recados por aqui. Agradeço sua consulta, seu interesse pelo trabalho. Um abraço, obrigado.
Escrito por Tom Zé às 09h15
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