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O deus dormindo
Cláudio perguntou o que é isso de o sono dos deuses, que integra o roteiro do dvd "Danç-Êh-Sá", como fala repetida em intervalos das músicas.
Depois de milhões -- põe milhões nisso -- de anos de Brahma, já por si longuíssimos, o universo desaparece, é reabsorvido. O que existe é o deus Vixnu adormecido nas águas primordiais, até que dele brota a nova manifestação, e o universo se repete, tal e qual. Estou escrevendo pra vocês no blog, vocês estão lendo na tela, e isso já aconteceu e acontecerá na próxima manifestação.
Na gravação de Danç-Êh-Sá, falamos de Vixnu dormindo, e todos os deuses também dormem no sono dele. É uma imagem na qual a ciência mete a colher, ao falar que ao menos na Terra a vida veio da água. E Vixnu enorme, incomensuravelmente enorme, respirando, já nos contendo em si. Poesia e religião não poucas vezes se misturam.
Continuando as cutucadas "leiam mais", Hegel, o filósofo, reclama, dá chiadas ótimas, engraçadas, falando sobre os cálculos hindus. Passou por maus pedaços tentando exatidões a partir dos cálculos de tempo deles. É interessante você ver a necessidade-de-planilha alemã e as espirais dos números quilométricos das contagens indianas. Até parece que indiano não sabe fazer conta. Bom, hoje entraram em informática e ciências exatas e têm se virado bem. O Mercado não perdoa nada, muito menos país superpopuloso, a China e a Índia estão aí fazendo e acontecendo.
Hoje ainda vou ver a imagem de Tom Zé brincando com Tom e Jerry, quem sabe descubro o que é Desconexo, outro enigma de hoje. Obrigado pela informação, Cláudio.
OUVINDO MÚSICA, como vocês perguntaram:
Tenho ouvido música espanhola, em especial asturiana, cantares de cegos e produções recentes do pessoal de lá, já que vou trabalhar lá na próxima semana e estou me preparando. Espero mandar recados durante a viagem, me comunicando com vocês. Antes disso ainda conversaremos.
Gente toda, um abraço, até logo,
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 12h30
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Richard Gehr, crítica do cd "Danç-Êh-Sá", muito bem-recebido.
I'm more partial to last year's beautifully brutal Danç-Êh-Sá: Danço dos Herdeiros do Sacrificio (Dance of the Heirs of Sacrifice). Zé's most synthetic album shakes, rattles and revolts against youth culture's tendency toward mindless mass consumption. The song titles cite historical slave and Indian uprisings and the music is an ambitious, though lyricless (!), carnival of invented vocalese, electronic and acoustic beats and Zé's signature mandolin figures. Having turned seventy last year, Zé has seized the elder's prerogative to kick some naïve youthful ass. Live, suffer and rebel, he demands. And, you can almost hear him add as an afterthought, pick up a book once in a while.
Escrito por Tom Zé às 15h55
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Concordo -- sobre o povo brasileiro
Caros, concordo. Ler Tchécov é contramão, e precisamos dessa infração que alimenta o tônus vital, quanto melhor o parâmetro mais difícil te/nos embromarem. Transgressão vai além do que está codificado como transgressão. Ler esse russo ou poemas de João Cabral, de Wallace Stevens, é desenvolvimento, tanto quanto ganhar bem, comer direito. Pensar direito é hoje, aqui, agora, já. Você pode errar, mas tem de tentar, é urgente. Me arrisco até a dar receita de vez em quando. Como hoje.
Informando +, os contos, obras-primas que não têm nada que ver com questão de gosto, são o máximo mesmo, foram publicados por uma editora portuguesa, a Relógio d'Água. Achei numa livraria de São Paulo, pulsional@uol.com.br
Me pediram p/ escrever sobre Robert Altman, vi Nashville, há anos, um retrato quase sacrílego dos Estados Unidos. Não sei se dará tempo, tenho de preparar muita coisa para a viagem pra Espanha, mas Altman era daqueles que tentava, acertava ou errava, mas fez isso a vida toda. Cara de confiança.
Um abraço, gente toda. Hoje tem mais coisa, pedi pra Tania preparar uns bonequinhos, reproduções de imagens, pra vocês verem.
Hoje no Canal Brasil, 66 da Net, tem "Danç-Êh-Sá", show filmado pela Trama, que virou dvd. Se eu já avisei aviso de novo, às vezes me esqueço. A Trama fez porque seu diretor, João Marcello, (foi um dos poucos que) gostou do disco, inicialmente.
O cd foi um disco vôo cego, com a voz humana adquirindo o valor do baixo, da bateria, futucando o significado do som que habita a garganta. Até um crítico americano muito exigente dizer que foi a melhor coisa que fiz ultimamente era um tal de comentar o disco com ponta de dedos, sem saber como comentar... Salvo pessoas como Jotabê Medeiros, do Estadão, por exemplo, bem acompanhado por alguns outros jornalistas. Eles criticaram corajosamente, falando de música, propriamente, desde a primeira hora. Porque é possível comentar disco de música sem falar em música.
Bom, é hoje no Canal 66, se vocês puderem ver. Obrigado.
Faixa Musical
Tom Zé - Danç-Éh-Sá/Dança dos Herdeiros do Sacrif. (2007) - BR Horario(s): duração: 79 min 27/03 - 22:01 28/03 - 17:01 29/03 - 11:01
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 12h34
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Pedro Alexandre Sanches me visitou aqui no blog há tempo, deixei o café ou chá esfriar, agora é que digo a ele que gostei da visita.
Abraço, Pedro.
Escrito por Tom Zé às 18h09
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Espanha para nós
Vou à Espanha nos próximos dias para trabalhar em Llanes/Gijón com músicos asturianos -- mas não só de Astúrias -- numa oficina, "taller", de natureza principalmente experimental. Tudo filmado por um jovem cineasta de lá, Ígor Iglesias. Farei show com a banda no dia 9, trabalharei muito com Daniel Maia, baixista do clã, competente, bom músico, bom trabalhar com ele.
O próximo show será em Santiago de Compostela, não teço comentários sobre esse itinerário/caminho porque gente mais andarilha e familiarizada já teceu. Ando lendo há meses sobre filosofias da Índia, mesmo título do livro de um estudioso alemão que não é mole, Heinrich Zimmer. Vocês não acham uma beleza a pessoa devotar-se ao que não é só imediato? Acaba colaborando muito com o que é imediato. Se o próprio Dalai-Lama, segundo corre, falou favoravelmente a respeito do socialismo -- pela generosidade de dividir o pão, ora essa. Taí, achamos onde está o sonho político: cartas para o Dalai-Lama, que parece gostar de falar com todo mundo, sem separatismo.
De vez em quando posso contar o que estou lendo, que tal? Semana passada li um conto de Tchécov chamado "Verótchka", se não troquei letras dei sorte. Um crítico disse que em mil anos aparece um escritor, uma pessoa assim. Periga ser verdade. Uma tremenda finura, com uma força enorme para contar um acontecimento e uma alma.
Bom pedaço de prosa, até logo, volto para o meu diversão, que é o meu trabalho.
Daqui a pouco tem mais.
Abraços, gente toda,
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 18h06
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