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AREIA, GAROTO-PROPAGANDA E MADEEEEIRA!
Caio, você me pergunta da letra "não gosto de chão descalçado / porque enche de areia o pé do meu bem". Rapaz, você me pegou! Essa música nunca foi gravada nem registrada, chama-se "Sandália", foi feita para minha primeira namorada, em 1955. Sandália era moda que havia sido lançada naqueles anos. E como as ruas de Irará ainda não tinham calçamento naquela ocasião, você pode imaginar o que ela sofria para estar na moda.
Uma vez eu cantei essa canção no Jô Soares. Mas foi só um trecho. Depois gravo aqui no blog pra você conhecer.
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Atenção, pessoal: virei garoto-propaganda de Maio de 58. É capaz de vocês me verem falando do assunto em todos os programas de televisão. Tomei o cuidado de fazer uma representação e um cenário -- e até enfoques diferentes -- para não trair nem vocês, meus telespectadores, nem os pauteiros que me protegem na tv.
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Serginho Dias, dos Mutantes, no princípio ficou assombrado, porque não sabia o que era. Agora, até aceita e gosta e chama a si próprio de Serginho Baraúna. Coisa de que ele passou a gostar depois que eu lhe expliquei que baraúna é uma madeira nobre, forte e vigorosa que eu conheci lá no Nordeste.
Abraços,
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 15h45
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SEU TADASHI, ANSELMO & WALLACE STEVENS
Vocês já
imaginaram como deviam ser uma fogueira os ensaios para os shows dos Mutantes,
formação Arnaldo/Sérgio/Rita? Era uma molecada fanatizada por rock/música. Se
eles não ficassem furiosos, eu diria que eram dedicados. Vamos deixar molecada
fanatizada mesmo, capaz de preferirem.
Pensar em quanta
banda boa e futura está ensaiando neste momento em quintal, garagem, galpão,
quarto de dormir...
Anselmo, você
ter lido o poema do WStevens faz valer a pena eu ter recomendado. É um poeta
rigoroso. E esse de as coisas como são é uma ressaca como os olhos de
Capítu: arrasta a gente, não tem jeito.
Estou
compondo e recompondo há várias horas, saio daqui a pouco para uma sessão de
agulhadas -- acupuntura -- com seu Tadashi, japonês velho e
eficiente. Se eu andasse atrás de musas ele valeria uma canção.
Abraços, gente toda.
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 11h33
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SERGINHO DIAS, DEVOLVA MINHA ORELHA!
O TÍTULO FICA MELHOR NO IMPERATIVO DO QUE NO PASSADO. DEVERIA SER, SE PRIVILEGIASSE A REALIDADE: SERGINHO DIAS (DOS MUTANTES) DEVOLVEU MINHA ORELHA. QUE, SEGUNDO ELE, É OUVIDO SINTÉTICO E ELE DIZ TER DEVOLVIDO COM CERTA RELUTÂNCIA. "AFINAL, ELE É TÃO MELHOR DO QUE O MEU E ESCUTA A VIDA DE UMA MANEIRA TÃO LINDA..."
DOÇURA VINDA DE QUEM FICOU COM MEU OUVIDO SINTÉTICO, ESQUECIDO COM A ESPOSA DELE NO MUNICIPAL, NAQUELE LANÇAMENTO DOS MUTANTES DE HÁ QUINZE DIAS.
QUANDO ENCONTRAREM SÉRGIO DIAS, MUTANTE, POR AÍ, AGRADEÇAM.
QUANTO AO IMPERATIVO DO TÍTULO, REPAREM COMO BAIANO E NORDESTINO GOSTA DE USAR IMPERATIVOS. DIZEM QUE ISSO É RESÍDUO DE SOCIEDADE ESCRAVISTA, O "FAÇA", "ME DÊ", "TRAGA", "FECHE". UM FESTIVAL DE IMPERATIVOS.
BEIJOS,
TOM ZÉ
Escrito por Tom Zé às 15h46
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Maio de 68, maio de 68, maio de 68. Tanta efeméride!!
Gostaria de fazer só músicas, letras, comentários, que trouxessem esperança a nós todos, a vocês. David Byrne diz que minhas músicas lhe dão esperança. Quando fico indignado com situações e oposições de variadas cores e formatos nos chamados mídias e fora deles, quando ouço a fala dos politicamente corretos, dos decididamente incorretos, e percebo que não se distinguem um do outro quando você os raspa e aparece o fundo igual: aí a indignação toma conta de mim, e eu não dou conta dela.
Depois penso nos que conseguem tratar mansamente essas questões. E me dá admiração...
Pensar em maio de 68, em tantas laudas de jornal escritas com animação e facilidade, contando aquilo que não foi fácil mas, animado foi, de anima, me provoca a decepção que provocam todas as expulsões do Paraíso.
Dali a um dia, repousando na admiração pelos mansos que herdarão a terra (veja quem disse isso antes de me chatear), alguém me pedem um depoimento sobre tal e qual situação: sobre maio de 68, por exemplo. Vamos lá de novo: maio de 68, destruído pelos bem e malpensantes, por alguns desses que querem declarações sobre maio de 68. E baixa o santo de novo: fico indignado. O santo baixa com raiva: o que é posso é raiva. Não posso mansidão, não herdarei a terra. Enquanto a terra ela não ficar totalmente inundada pelo degelo dos pólos e nós todos rumarmos/remarmos para o Ártico, morando no que for possivel, posso raiva. A esperança mora na raiva.
Escrito por Tom Zé às 14h51
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