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Tatuagem transoceânica
Antes de viajar pra fora de São Paulo, há dois dias, estava nadando na neblina das 5 da tarde, no bairro chamado Sumarezinho. Dois rapazes me pararam, um deles me fotografou há alguns anos para a revista "Caros Amigos" e o outro me disse que ia pros Estados Unidos no dia seguinte, encontrar uma filha chamada Isabel que mora lá e tem minha cara tatuada no braço.
Isabel essa, Isabel Rosa, que está na 4a. ou 5a. mensagem abaixo desta, com foto e tudo, muito bonita, menina que leva adiante seus projetos, que outros preferem chamar de sonhos. Minha mulher comentou a beleza de Isabel, o pai dela concordou, conversamos um pouco, abraços, continuamos andando na neblina das 5 da tarde, num dos hoje raros dias de inverno.
Quem é ponte para quem, nesta relação entre brasileiros e Américas?
Quando voltar a São Paulo vejo se estou devendo comentário pra algum de vocês.
Abraços, povo.
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 14h06
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DAS finalidades da música
Caros, vocês já notaram como esse "das", anteposto ao assunto, confere um ar totalmente esnobativo? Pois é, tabaréu estranha. Eu sou tabaréu, caipira, como dizem os paulistas. Uma palavrinha bota cartola e sapato caro numa frase. É um horror. Aburguesamento.
Vocês que dizem que no início um disco como "Danç-Êh-Sá" tem lá suas pontinhas, arestas, momentos inusitados, têm razão. Acho ótimo irem adiante, insistirem. Faço isso com as peças em outra língua, e saio bem, com as mãos repletas. Não falo de variações-sobre-o-mesmo-tema, disfarçadas em arranjos. Também valem, mas ainda não é isso.
Uma psiquiatra dizia que música é pra ouvir lavando prato. Na Babilônia, lembro-me da voz de Décio Pignatari dizendo isso, a música acompanhava a coleta do lixo. Acho que ambos falam de uma forma de canto de trabalho. Vale. Mas ainda não é isso. Ainda não é tudo.
Ou você arrosta, tem coragem, tutano, periga errar, ou não. Alguém que só quer ouvir pra lavar prato pode achar chato. Vale a pena arriscar.
E agora vou trabalhar.
Abraços, queridos. Discutir vale a pena. Obrigado a vocês.
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 11h12
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HAMLET E VOCÊS: PABLO, RODRIGO, DANIEL,
HECTOR, ANSELMO:
Na primeira audição vocês entraram em sintonia com Danç-Êh-Sá, é? (Daniel eu sei que já ouviu antes.) Música sem letra, sem fio melódico ininterrupto, quebrando ritmos, dançando e pulando... é pra gente atenta ao acontecimento musical. Acontecimentos, que gosto de fazer peças em que várias coisas acontecem, e na próxima peça outras, de outra natureza, até, se sucedem. Vamos lá. Que bom que vocês ouviram.
Hector, então volte.
Falando em voltar, fui ver Hamlet, em São Paulo, na sexta-feira. Saí engasgado de vontade de abraçar o elenco todo, e na manhãzinha seguinte viajei, não deu pra esperar que eles viessem, fiquei uns dez minutos e saí sem dar parabéns. Faço isso aqui,darei um jeito de me comunicar com todos.
Que beleza que estão fazendo essa peça, ousando, podendo fazer outra coisa qualquer mas selecionando Hamlet. "O resto é silêncio", "Fragilidade, teu nome é mulher", "Ser ou não ser, eis a questão", "Dorme, doce príncipe", "Veneno, faz o teu trabalho", olhe, na galáxia de citações shakespearianas, Hamlet tem muita participação. O dramaturgo, "o inventor do humano", faz uma tragédia forte, morre gente como quê, tranca a garganta ver a maldade de que somos capazes, pois somos todos aqueles personagens. E o ator que faz o rei Cláudio, é pouco o que ele faz? Parece que estamos ouvindo um político manhoso se justificando, um administrador não querendo dizer o que faz com uma mão e esconde com a outra. Já vimos isso em campanha eleitoral, esse viver da justificativa.
Sem falar de meu conterrâneo, meu neto Wagner Moura, que faz o papel-título. Que maravilha esse suceder de gerações, quando mostra um ator desse tope! Fiquei, ficamos encantados, lá no Teatro da FAAP. Lembro Anatol Rosenfeld falando de Sérgio Cardoso muito jovem, correndo pelo cenário afora. Que beleza, outra geração, outro Hamlet, outra visão cênica mantendo a força da peça. Parabéns, Aderbal, Wagner, todos vocês.
Se alguém viu a peça, comente comigo, conversando.
Abraços, falo mais de outras coisas depois.
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 16h36
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