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COLEGAS E CHIADAS, ESTE SÁBADO
Depois da brava chiada de Alexandre, que está na roda conosco, vejam o que ele escreve, obrigado, Alexandre, parei um ensaio com Jarbas e me ponho a falar com vocês um pouco. Quase uma da tarde.
Comentários sobre o show de ontem no Sesc Pompéia, agora.
Conheci pessoalmente Júpiter Maçã, ou Flávio Basso, ou inquietação corajosa, a ousadia dele no palco é boa, fez uma curva ascendente no espetáculo, mas tenho de ouvir os cds dele de novo, para ouvir direito a letra, pelo visto, pelo visto mesmo, literalmente, Maçã merece.
Me disseram que somos "descamisados", nós dois optamos pelo peito aberto pra fazer a apresentação.
Também vi/ouvi Roberta Sá. O alcance vocal e suas falas dirigidas ao público, seu tipo de interação com ele, os requebros pontuando momentos da canção, remetem às cantoras de rádio dos anos 50 com quem certamente ela nem em sonhos conviveu, é muito jovem. Interessante que depois de várias gerações uma menina venha encarnar a mesma expressão estética, pré-bossa-nova. Uma surpresa.
Pensando neles dois, pois pra falar de todos, da bonita pernambucana Isaar, é pouco este intervalo de ensaio, gostaria de ser escritor. Veja só, há hora em que um escritor tem mais que fazer num show de música, como observador e relator, do que um músico. É um cruzamento de raios, de expressões, de que a literatura poderia dar conta melhor.
Leram-me um trecho de Sándor Márai, escritor húngaro ("As Brasas", "De Verdade" -- Companhia das Letras). Lembrei-me de Borges, aquele maravilhoso reacionário: ele se abespinhava com psicologizações, amava Robert Louis Stevenson, relatos de aventura. Márai, no trecho que leram pra mim, possivelmente arrepiaria Borges. Mas, pensando bem, o que os autores de capa-e-espada criam nos brigues dos piratas Márai cria dentro das almas; dá a impressão, às vezes, de que os movimentos interiores são quase todos inventados, de que os estados de ânimo, as reações descritas, são imaginadas. Ele viaja sem sair do lugar, dentro das oscilações anímicas dos personagens. Também vale, porque o delicado fio que nos faz prosseguir é aquela pergunta: "está bem, já sei, ele sente isso ou aquilo, mas o que vai acontecer agora?"
Grande parte do relato literário sobrevive e tem leitores por causa dessa pergunta.
Chega, senão Jarbas vai embora. Ele já tomou água, deu umas cutucadas nas cordas do cavaquinho, o sábado avança, daqui a algumas horas vejo você, que, assim espero, estará sentado na penumbra, meu interlocutor de hoje. É uma das razões pelas quais pra mim vale a pena ir, mas não posso pontilhar mais sobre o que vale a pena.
Até breve, um beijo,
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 13h18
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SHOW E FILME CHEGANDO, + ...
O assunto, de novo, é filme. Não virei cineasta nem lanterninha (pra quem não sabe, era ou é aquele indicador de lugares que ligava uma lanterna de pilha e ia acompanhando o atrasado no escuro até um lugar vago, pra ele não se esborrachar no chão).
Aviso a quem me perguntou, aqui, no site, por telefone, por e.mail, que o dvd do filme "Fabricando Tom Zé" irá pras locadoras no dia 1 de agosto, deve ser data garantida pois o diretor do filme, Décio Matos, marcou data de assinatura de autógrafos do dvd no dia 8, 6a. feira, às 7 da noite. Será na Fnac, em São Paulo.
Nesta sexta, sábado e domingo, de 18 a 20, no Sesc Pompéia, vai ter show chamado Era Iluminada - Tropicalismo: comigo, + Roberta Sá + o rapaz do Júpiter Maçã, + Isaar, de Pernambuco. Banda e organização musical de Lucas Santtana, filho de meu primo que diz que é meu sobrinho pra ele não parecer velho -- não tem como parecer, já que não é.
Enquanto isso, vou gravando o disco. Tem hora que dá a impressão que o tempo não é elástico, como de fato é, mas que se afunila. Me agride. Já viram incoerência maior do que o tempo? Cada um diz uma coisa: que ele é foice, que ceifa, acaba com a vida, ou que origina os universos, os organismos celulares, as estações. Já os anglo-saxões dizem que ele é dinheiro. Sem querer ofender o dinheiro, é um reducionismo tarado.
Tenho de escrever pra Gerald Thomas. Há um ou dois anos ele recomendava nos jornais o filme Deus é brasileiro. Fiquei muito alegre com o roteiro, com a exatidão do tempo (lá vem ele de novo) cômico, com as atuações. Tem João Ubaldo Ribeiro com outra pessoa fazendo o roteiro. Só vendo os créditos de novo. Muito bom mesmo, Thomas tem razão.
Vou trabalhar.
Abraços,
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 11h15
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