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COMUNGO
Pessoal, não falo de hóstia, que também é fenômeno complexo, carne e sangue, vestígios de sacrifícios e ingestões bárbaras de tempos primevos que se transmutaram em farinha de trigo no cristianismo. Na missa a hóstia se transmuta de novo em corpo, carne e sangue. É pouco, esse percurso?
Deixando a hóstia sossegada: aqui comungo é com um de nossos interlocutores, Diego Héberson, que escreveu atirando a toalha por causa da situação dantesca do País. Tirei as aspas do adjetivo. A Florença do Dante da "Divina Comédia" também tinha lá seus esgotos, não inventamos a canalização de detritos, mas tentamos aperfeiçoar a cara-dura. O horror, o horror!, como diz Conrad.
Diego, não se renda. Você já fez alguma coisa. Já escreveu pra cá, falou. O teatro ruim, de quinta, que essas pessoas, esses que estão por cima, fizeram, não colou. Dramaturgia tem finalidade maior. Precisa no mínimo ser bem-feitinha. Abjeção. Veja como Shakespeare está coalhado de traições, de rasteiras -- o substantivo, o passa-pé mesmo, não o adjetivo --, de dejetos. Mas era o Bardo contando, não era um assessor/pau mandado dando texto pífio prum bando de meias-bocas dizerem.
A democracia, com a necessidade de exposição de (alguns) fatos, alguns, pois o mar de nosso desconhecimento não tem limites, traz a conseqüente proliferação desses biombos, desses esquetes de ínfima categoria. Há um benefício: você vai vendo quem é quem. E é bom não se esquecer do que viu.
Diego, eu também fico triste; mas a coragem é um socorro permanente, vamos a ela.
Berg, não entendi direito a história do filme, mas é uma brincadeira boa.
A todos,
abraço,
Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 17h51
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