BRIGA DE ASSUNTOS
Pessoal, atropelei vocês com dois assuntos, ter um pouco de tempo como estou tendo pode não ser bom. Falei muito. E deu Tio Fernando brigando com Luiz Tatit, parece cantiga de cordel. O fato é que os assuntos tratados no livro de Tatit e que figuram no texto ou post anterior, como vocês chamam, são muito importantes também. Quem pensa mais a respeito de música brasileira, do caminho que ela faz na nação da gente, fica mais forte, menos sonso. Aguardo as discordâncias e concordâncias de vocês. As de Eduardo estão bem vivas. Mas ou entendi mal ou ficou confuso, Eduardo: quando Tatit fala de música instrumental, continua falando de música popular, não de música erudita. É isso aí? Abraços, obrigado. Que esteja posta em sossego e dormindo a criatura que disse que "obrigado" não podia ser coisa minha, que desconhecimento do caipira, tabaréu, homem do interior, ora se! Se for antropóloga, ela terá enguiços na carreira. Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 10h35
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TOM ZÉ, QUEM É AQUELE SENHOR DE TERNO BRANCO?
Foram muitas as perguntas sobre meu tio hoje idoso que participou da homenagem que me fizeram no Programa Raul Gil. Hoje ele tem 90 e alguns anos. Foi um orador muito brilhante, sempre, e figura que batalhou por questões importantes do Brasil. Antonio Risério, o interessante escritor baiano, escreveu há uns 3 anos a biografia dele, “Adorável Comunista”. Observa que Fernando, nos seus 50 (cinqüenta, gente!) anos de atuação política, não seguia a cartilha do engagément mal humorado: dançava sempre, era muito festeiro. Fernando Santana se formou em 1944 em Engenharia e foi desde bem jovem membro atuante do Partido Comunista. Quando estudante, foi presidente da UNE. Em fins dos anos 50 se elegeu deputado. Continuou atuando na câmara, sempre com independência e integridade, até ter seu mandato cassado no início da ditadura. Em 59, ele, Almino Afonso e Neiva Moreira formaram a Comissão de Comunicações da Câmara Federal encarregada da implementação do Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT). O Brasil, em termos de comunicações, vivia na pré-história. Estive no Rio, então ainda capital federal, e presenciei muitas das discussões sobre a seleção de alternativas de comunicação que já funcionavam em muitos países civilizados. Presenciei uma verdadeira luta, com as multinacionais pressionando o projeto através do exército, do governo, de propinas. Os três elaboradores do código enfrentavam todo o tipo de perseguição e achaques, lutando para optar pelo material e pelas alternativas realmente convenientes para o Brasil e nosso futuro. Foi a própria ditadura militar – necessitada de uma rede de comunicações eficiente, já por outros motivos - quem instalou o código planejado por eles. Esse código se tornou famoso no mundo todo como adequado e sabiamente escolhido É o que usamos hoje para telefonia, rede de TV, para todo o tipo de comunicação. Fernando ainda hoje conserva a coordenação e, interiormente, o pathos do orador que foi. O autor do Código Brasileiro de Telecomunicações foi alcançado pelo tempo e tem hoje sua flama comunicativa diminuída por ele. Tai o que vocês queriam, saber quem é aquela criatura: é meu tio Fernando. Abraços, tribo danada. Obrigado. Tom Zé.
Escrito por Tom Zé às 16h34
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LENDO TATIT JUNTOS
Pessoal, da página 43 à 89 de "O Século da Canção" de Luiz Tatit, Ateliê Editorial, temas recorrentes, sempre discutidos, brigados. Entre vocês há apaixonados por música e também compositores. Pano pra manga e pra divergências que podem ser esclarecedoras. Falaremos (falarão) de influência americana, estrangeira, de vanguarda erudita, da era televisiva, de João Gilberto (é claro, de quem mais?!). Transcrevo Tatit, sem ser muito opinativo, aguardando vocês. O autor figura em em itálico. Pg. 43 canções ... que se reportam ... aos velhos batuques com seus cantos responsoriais... elaboração da letra ... união... conjunção de personagens com seus valores ... No começo era o batuque. Bom lugar para citar Vico, filósofo que diz que o homem primeiro cantou, a fala veio depois. Nesta altura Tatit comenta a integração música e palavra na canção brasileira. pgs. 44 a 46, Tatit fala s/ Vanguarda Erudita, contatos entre esfera popular e música de concerto, sem desmanchar o fato de que música brasileira sempre induzia a pensar em canção. Pg. 48, ... músicos, discos, cinema ... [trazendo o projeto norte-americano de “felicidade”]. Dick Farney e Jonny Alf, Lúcio Alves, Tom Jobim, Nora Ney... Sinatra-Farney Fan Club, desvelando o fascínio exercido pela nova estética que vinha de fora. Pg. 50 – João Gilberto ... grau zero da sonoridade brasileira... despojada ... Pg. 51 – [convergem para a canção] figuras consagradas da elite artística brasileira, o que daí em diante se tornou fato habitual. Tom Jobim, ... Vinícius ... Augusto de Campos. Glberto Mendes, Júlio Medaglia ... João decantou a canção ... até dos procedimentos virtuosísticos da música norte-americana ... [ reprogramando] a gênese de todos os estilos, passados e futuros. ERA TELEVISIVA Pg. 53 – O Fino da Bossa, que de bossa nova tinha muito pouco; Jovem Guarda [esta, na esteira do rock internacional, ... que crescia espantosamente] TV Record era a casa da Tia Ciata da era televisiva. Da MPB, na versão “protesto”, à jovem guarda, que tinha... a leveza da bossa nova mais do que a canção de protesto da MPB... com sua oratória distante da fala cotidiana... e harmonia tão simplificada quanto a dos guitarristas [da Jovem Guarda].. ... surgiram Chico, Milton, Vandré, Paulinho da Viola, Caetano, Tom Zé e outros que vieram para ficar. Pg. 55 – Nunca mais tivemos um canal de TV... dedicado a todas as tendências de nossa canção. A DECOMPOSIÇÃO TROPICALISTA Pg. 59 – enquanto a bossa nova era sucesso no Carnegie Hall em Nova York ... com músicos em trajes de gala... tocando comportadamente instrumentos acústicos ... os tropicalistas e suas cabeleiras hippies, colares, camisolões... guitarras ... ... falência do “esquema Record” diante do “esquema Globo”... contribuiu para encerrar... o período mais concentrado e participante da história da sonoridade nacional. O vírus tropicalista, porém, já estava disseminado ... Pg. 59 (cont.) Principal gesto tropicalista: a assimilação. Num artigo para o “O Estado de São Paulo”, há cerca de dez anos, comentando bossa nova e tropicalismo, eu dizia, como Tatit neste livro, que o tropicalismo abriu a porta para novas assimilações. O artigo tomava a bossa nova como invenção, contrapondo esse aspecto ao do tropicalismo, que seria mais assimilador. . Pg. 60 – Capacidade de previsão [das chamadas leis de mercado] é de curto alcance, ao menos [quanto a] produto de natureza artística. Pg. 62 – Tatit fala de seu grupo Rumo ... sobre a ... entoação coloquial como chave para a composição melódica. Grupos musicais surgidos... cantando e contando letras narrativas ou de situação. Pg. 64 – Música sertaneja ocupou o quinhão da sonoridade passional brasileira e atingiu picos inimagináveis de venda. O SÉCULO XX EM FOCO Pg. 70 - os resultados obtidos [no caso da música instrumental] estão longe de representar a principal via da originalidade brasileira, se não pela qualidade, em comparação com a criação musical do resto do mundo, pelo menos pela quantidade, pouco expressiva se a confrontarmos com os números exibidos na área da canção. Típico pé de briga, ao menos para instrumentistas que lutam em seu início de carreira. Discussão pronta para ser travada no terreno da suscetibilidade diante das feridas causadas pelo tal mercado. 71 – a nova letra, que só se consolidou com Sinhô [1920], substituiu o compromisso poético pelo compromisso com... a melodia ... a adequação entre o ... dito e a maneira (entoativa) de dizer) Outra contribuição para discussão travada a cada mês, cada ano: letra é poesia? 72 - ... jamais [desde o princípio da utilização da tecnologia de registro sonoro] se interrompeu o fluxo de criação e perpetuação das formas cantáveis da fala, gerando no Brasil uma das tradições cancionais mais sólidas do planeta. 80- ...[em Jobim] a influência do jazz foi utilizada na reabilitação das dicções enunciativa e temática, ... sistematicamente neutralizadas pelo sucesso popular da dimensão passional [bolero, tango, canção passional]. 82 - ... festivais, ... campo de batalha. Foi quando surgiu a expressão MMPB (Moderna Música Popular Brasileira), ... reduzida para MPB, cuja correspondência com siglas de partidos políticos não era de todo casual. Em “O Fino da Bossa”, ouviu-se “Quem não está conosco, está contra nós”. Luiz Vieira, ao apresentar-se no programa, ouviu invectivas da apresentadora, Elis, por ter composto uma guarânia.
Escrito por Tom Zé às 15h20
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Serviço de Tom Zé para o blog
Rebanho de vagabundos querido, o e.mail das produtoras do Programa Raul Gil pode ser útil. Bê precisa de legendas, alguém mais pode precisar de outro serviço da emissora. As moças são Cláudia Menezes e Cláudia Orlando. São muito gentis, delicadas e trabalham incansavelmente, com boa vontade. claudia.menezes@luarcompany.com.br claudia.orlando@luarcompany.com.br Este é um ditado, estou longe do computador, mas tiro da cabeça esta que pode ser uma necessidade de ajuda à tribo da qual faço parte. Beijos, obrigado, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 09h44
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