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LETRA DE MÚSICA/ PALAFITAS NA VIZINHANÇA
Vamos agrupar mais assuntos duma vez, pra dar tempo de comentar. "Povo, querida" é uma letra que fiz há tanto tempo e, insistindo no comentário, tem o frescor da bronca perfeitamente novo, como um orvalho que não morre no decorrer dos dias, mal comparando, pois raiva e dor nem sempre casam com orvalho. Sérgio Dias fez um belo arranjo. Na "Folha" o título da canção que figura é "Querida, querida". Será que Sérgio Dias mudou o título? Depois da letra comento o post de uma moça que está cuidando da cidade. Povo, querida (Sérgio Dias / Tom Zé)
O povo, querida, querida,/ Há de sobreviver, querida, querida,/ Aos seus benfeitores, querida, querida,/ Às canções de protesto,querida, querida/ E à nossa bondade, querida, querida.
O povo,querida, querida, / Há de sobreviver, querida, querida,/ Aos paraísos, querida, querida, / Aos nossos sorrisos, querida, querida / E à nossa caridade/ E à nossa caridade.
Um lápis e uma régua/ Um resfriado me pega/ Um flash quase me cega/ Um memorando que nega. Um vento forte, um chuvisco/ No olho me entra um cisco/ Um som de casa de disco/ Uma cobrança do fisco.
Um desejo por vitrina/ Uma moça por esquina/ Hoje eu te pego menina/ Ao me sentar na latrina. Um cartaz de mulher nua/ Um cego atravessa rua/ Garçom, a carne está crua/ A mãe de quem, é a sua? Um ódio que me destrói/ O sangue corre corrói/ Eu quero ser um herói/ Vida de porra, my boy!
PORRA, PORRA!!! ___________________________________________ Comentando o bilhete da menina que está tomando iniciativa para cuidar da cidade: é bem coincidente, porque ontem à tarde no MAC - Museu de Arte Contemporânea, aqui no Parque do Ibirapuera em São Paulo, como sabeis de sobejo - fui me encontrar com Jean Paul Ganem, artista plástico que está participando do Ano da França no Brasil e com quem devo trabalhar daqui a alguns meses. A exposição dele, que está lá no museu, mostra fotos de uma favela que fica perto do Shopping Bourbon, nas imediações do Sesc Pompéia, da PUC. Todos nós passamos pra lá e pra cá e não vemos aquelas habitações inventadas pelo anjo da precariedade. Como há anjo pra tudo, deve haver aqueles que cuidam de paredes e homens precários. São os desvãos da metrópole escondendo pessoas, como insetos que fogem do dia indo pra debaixo de pedras. Mas nós, humanos, podemos/queremos mais. E revolvemos, derrubamos pedras, lixo, latas. Construímos casas com os restos alheios. É o lixão do consumo. Há edificações em madeira, palafitas paulistanas. Sabe? Elas descansam os olhos, fazem descobrir o engenho inventivo que miséria nenhuma pode matar. Você vê que as casas da favela conseguem se manter em pé, têm uma ordem implícita, são máquinas de morar. Constelações efêmeras nas fronteiras da grana alheia, dos comércios amaldiçoados. E nem assim as palafitas, sobre riachos que uma enchente pode pôr em perigo, conseguem deixar de parecer maquetes bárbaras, arquiteturas do que é possível arquiteturar nas vidas de pessoas especialíssimas, pessoas que brotam ao largo das cidades. Vieram pra cá pra fazer parte da novela das 8? Jean Paul Ganem e seus auxiliares brasileiros, Luciana e Mozart, estão convivendo com as pessoas que moram nesse entorno dolorido: algumas, que podem pagar 50,00 por mês, foram transplantadas de seus domicílios anteriores para prédios de concreto que a Prefeitura fez. Alguns não queriam ir, foram arrancados com raízes e tudo de onde estavam antes. É a radicalidade humana, no sentido de criar raiz. Mas se até os nômades têm sua radicalidade, com outras formas, tecidos, lonas, barracas, cores, mulheres. É no Mac, Ibirapuera, São Paulo, que está a exposição de Ganem. Abraços, pessoal. Misturei palafita com povo querida. Tom Zé, saudoso. Depois vejo se teve letra trocada no texto. Agora é correr.
Escrito por Tom Zé às 16h52
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Letra gravada pelos Mutantes - Folha de hoje
Notícia desta assessoria de imprensa do Rebanho de Vagabundos : Hoje na Ilustrada da Folha (é dia 24, dia de São João) saiu a letra de "Povo, Querida", que fiz há anos. A bronca ali contida está fresca, é de agora, vão ver. Sérgio Dias, com seu arranjo, deu uma brilhante colaboração musical. É parceiro. Encrenca pra Luiz Tatit nenhum botar defeito. Ou botar defeitos valiosos. Até, obrigado, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 10h17
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SHOW USP VELÓDROMO 26, 6A. FEIRA
Meninada, tem show na USP 6a. feira, dia 26, às 20h, no Velódromo. Serei acompanhado por Daniel Maia, vocalista/guitarrista/violonista e por Jarbas Mariz, vocalista/percussionista/violonista. Planejei o repertório para que vocês pudessem cantar comigo, pena que não será dia de São João, data tão importante, é o Natal nordestino de meio de ano. Mas a intenção das músicas é me juntar a vocês cantando. O telefone que tenho para informações é de uma organizadora, Rosana, 9725 6109. Abraço, até lá, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 10h12
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