Blog do Tom Zé
   



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GRAMMYSTA E MUTANTISTA

Senhores bloguistas: Duas notícias boas:

1) Como o "Estudando a Bossa" foi indicado para, até 5 de novembro serei grammysta; depois, posso passar para o Internacional ou para o Galícia, meu time na Bahia.

2) Sérgio Dias, dos Mutantes, mandou dizer, dos Estados Unidos, que o disco deles onde tenho oito parcerias está em primeiro lugar em todas as paradas universitárias daquele país.

Beijos sabatinos, Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 11h41
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Bicicleta/Byrne/Fabrício/Nu na capa/Cássia/Vocês

                                Gutemberg me ataca, não importa pra que lado eu me vire.  Estou lendo um livro de David Byrne, "Diários de Bicicleta", e o homem é escritor. Fim de frase. Sem ponto-e-vírgula. Numa semana que, em plena segunda-feira, já começou com show, estou entrando nas entrelinhas dos trabalhos e assuntos para que a leitura termine antes do dia 21, depois eu conto por quê. Byrne pensa bem, e sua curiosidade voltada para o mundo todo, para as coisas do mundo, meus negos, contamina quem lê.

                                 Por causa desse compromisso gutemberguiano de leitura, vamos voltar, juntos, ao livro de Tatit, na próxima semana. Falando em leitura, Djenal conta que um amigo, Gilton, me escreveu e o comentário não veio, ele mesmo apagou? E Fabrício, menino raivoso e brilhante, mostra que um argumento não precisa fundar-se totalmente na razão, um relâmpago de justiça basta para clarear uma justiça toda. Cássia Fellet me diz que não entrou no show de ontem em Osasco; quando eu soube, lá dentro do teatro, que uma hora e meia antes os ingressos se esgotaram e que muita gente não entraria, me deu vontade de: 1) propor cantar lá na entrada para os que vieram, na noite de garoa; 2) fazer outro show ao terminar o primeiro. Cássia, muito obrigado por ter ido, por ter vindo aqui contar.

                                   Você, Fábio, que corria pelado em grupo, vi experiências que tais no teatro, e até na rua; lembro, nos anos 60, de um grupo de moleques atravessando a Avenida Angélica, em São Paulo. À noite, os faróis dos carros sem saber se os procuravam ou corriam deles. Nus em pelo, eles iam e voltavam, em travessias dignas de cabritos ou tanques de guerra. Eram correria de um mundo primevo, Neanderthal, como fundo musical pediam vozes roqueiras, que muitas delas se dirigem ao passado profundo. 

                                    Ontem, ao chegar em casa à meia-noite, vindo do show, a revista Brasileiros me esperava. Me vi ali na capa, vestindo violão e tênis. Falei pra Neusa que a companhia daquela nudez é a molequeira da velhice. Fauno. Há um tom faunesco nas fotos dessa nudez da revista Brasileiros. Cada nudez tem sua companhia própria: a nudez em Ingres, o pintor, a pele das mulheres que ele pinta, tem a nitidez precisa do desenho e uma luz com que a superfície da carne feminina clareia o entorno e o olho deslumbrado de quem a contempla. A nudez se amplia, enche o quadro, como devia encher, tornar pleno, o próprio Ingres. O meu nu de tênis e 72 anos fica mais perto da molecada que atravessava a Angélica espavorindo motoristas à noite.

                                     Bê, a rapidez com que você acha e espalha notícias é muito grande. Obrigado por avisar sobre o link da revista Brasileiros, sem você eu não teria visto ainda. Um beijo. A você e a vocês.



Escrito por Tom Zé às 15h34
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