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POR QUE NÃO NA RODA ACADÊMICA

                 A você que escreveu deixando endereço virtual, dizendo que eu deveria ter mergulhado mais no ambiente acadêmico da palestra, agradeço contribuir para uma pequena discussão. Sempre prefiro não me servir da relativa popularidade - é relativa - do que faço, quando há professores no quadro preferencial. Risério não é professor, é um dos raros, acredito, que sobrevive como ensaísta. Ensina por escrito ou, talvez, em palestras. Estou lendo um livro dele, A utopia  brasileira e os movimentos negros, que toca em problemas geralmente descartados quando se discute raça e racismo. Me disseram que há erros. Se houver, serão erros fecundos, os que escreverem depois se beneficiarão deles. 

            Santuza é professora conhecida e reconhecida. Professores são desmerecidos, degradados. Não costumo lutar por espaço com eles, me servindo dessa relativa popularidade. Quando me chamam para uma fala e aceito, eu falo. Ali, eu participaria de uma roda, querendo ouvir o que os dois, Santuza e Risério, tinham a dizer. E eles têm muito a dizer, prepararam sua fala. Falei depois, calcado na experiência pessoal e fiz o pequeno show marcado, com Cristina Carneiro, Daniel Maia e Luanda. Ali estava o meu discurso - cantado. Talvez mais do que no tempo que passei falando, depois dos dois palestrantes.

         Até o menino inteligente de BH que fala aqui no blog tocando com dor e raiva na matéria racial verberou contra os professores, recentemente. Mas se estamos todos do mesmo lado: pretos, mestiços, professores, pobres. As nuances que sejam estudadas, mas a exclusão pega a todos. Será que o menino sente os professores como excludentes? Botou neles o chapéu de autoridade. Que lhes caberia bem, no sentido harendtiano. Mas de privilegiados? Não sei se o chapéu se ajusta, ao menos não com muitos professores que conheço. Será que há isso, de fazer do conhecimento uma moeda opressiva? Desconheço esse luxo, se há é uma distorção braba. Em jornalismo cultural vi esse esnobismo, desde que me entendo. Em sala de aula ele existe?

         É, meu caro, voltando a lhe responder, talvez eu devesse me sentir mais à vontade, assumir mais responsabilidade falando no círculo geral de uma mesa redonda. Eu cantaria depois e o que faço cantando é produto de um pensamento que vai para a composição, para os arranjos, para o canto. Se bem ou malfeito, é assunto para outras considerações.

         Até o Rio e a Casa do Saber. 

         Rodrigo reapareceu.

         Rodrigo, foi uma bobagem minha eu não falar aqui no blog da entrevista, para colaborar com seu programa, poderia ter sido ouvido por mais pessoas. Quando houver uma coisa dessas, informem pelo menos nos comentários. Ajuda. Abraço a você, a vocês.

         

 

          



Escrito por Tom Zé às 17h37
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