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Festivais, shows, chuva não calamitosa

           Já contei que vou pra Argentina prum festival chamado Personal Fest. Show sábado. Com minha distância da chamada cena, conto depois como pareciam as bandas que não conheço.

           No dia 21, um ensaio brabo, demorado, aqui no Brooklin, São Paulo. Para o Prêmio Bravo!, que ganhei há alguns anos. Desta vez participarei da premiação cantando São São Paulo em arranjo novo, com orquestra e dois músicos da banda, Daniel Maia e Jarbas Mariz. Lá vou eu falando de show fechado, agora já falei. Esse show será no dia 26, na Sala São Paulo. A temática são os festivais de música de há tempo. Agora disse tudo, nunca tinha feito isso, essa desobediência incivil. Agora já foi, contei.

            No dia 23, show em Guarulhos, para os professores. Olha aí vocês discutindo de novo o merecimento da gratidão que tenho pelos professores, notadamene, pelos meus. Por todos que têm o jeito precioso de contribuir, de fazer. Os que, segundo Fabrício, não são assim, não são professores, ora se!

            E estou mergulhado, às 5 e meia da tarde, na prata que banha o ar, no chamado mau tempo paulistano. Mau tempo o quê, rapaz? Se fosse no Nordeste, ia ter gente ajoelhada agradecendo pela água que vem. Mas lembro agora que Euclides (da Cunha) só falta chamar certa chuva que varre o sertão esporadicamente de calamitosa: parece não ser absorvida pelo solo, são bofetões líquidos que não se casam com a terra. Deixo disso e curto o bom tempo paulistano, que dia lindo, prateando prédios.

            Até, pessoal.   

       



Escrito por Tom Zé às 17h35
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Aniversário, Argentina e os professores

                 Pessoal, muito obrigado aos que escreveram no blog, fora do blog, aos que se encontram comigo e estão mandando parabéns de uma semana a esta parte, como diria Décio Pignatari. Adorei os recados,mensagens, abraços. Estou completamente pregado, fazendo 73 anos numa semana em que só faltou chover pra cima... boa idéia, chover pra cima... Bom, há o tal gêiser, não é?

             Vou à Argentina para um festival no sábado, em Buenos Aires, e chegam reclamações sobre o lugar e o preço do ingresso, meninos, atuar contra quem há de? Eu, contratado, não tenho atuação nisso. Adoraria campo aberto, e espero que vocês vão, que possam ir. O horário, no sábado, é lá pelas 7 da noite, depois deve ter banda de som pesado, a gradação estética costuma ser essa. O público argentino me recebe bem, não noto o folclore de chumbo trocado entre nossos países. Vizinho, se facilitar, projeta no outro encrencas muitas. Somos próximos, e para amar o próximo até mandamentos divinos tiveram de ser estabelecidos.

              Ao voltar, vou, sim, a Guarulhos no dia 23, em show para o Sindicato dos Professores. Incluo no aviso as discussões acontecidas aqui. Sempre digo que os professores me salvaram a vida. Belmira, uma professora exigente e temida, negra magrinha, preveniu que precisávamos estudar porque de entre nós sairiam os futuros poetas, escritores. Caí no vácuo, até então só tinha aprendido que não podia ser grande coisa - ensinamentos ao contrário, familiares e outros. Belmira me colocou no mundo da possibilidade atada ao trabalho pessoal. Ela e outros fizeram o milagre. Crescido, fui à Universidade de Música da Bahia, só depois de trinta anos de casado contei para minha mulher, Neusa, que tinha passado em primeiro lugar no vestibular e ela perguntou por que não conto isso. Comecei a prestar atenção no assunto e conto aqui.

               Pois bem, nas aulas de Contraponto - espíritos-de-porco diziam que era complicado, que eu não aprenderia e foi uma das disciplinas que mais me interessaram -, de Composição, enfim, deixemos tanto currículo, os professores maravilhosos, uns europeus tinhosos, como Koellreutter, Ernst Widmer..., continuaram o que Belmira começou. Um serviço de me trazer à sociedade das pessoas humanas.

               Felizmente nenhum deles me desiludiu com o esnobismo de que se queixa Fabrício. Fico preocupado com as carências que isso pode provocar. Esnobismo eu já tinha recebido fora da escola, aos montes. Não precisei completar o pacote intramuros escolares.

               Esse show em Guarulhos, no dia 23, creio que é às 20h, estou longe da agenda, por favor, rebanho de vagabundos querido, confirmem, serviu desde já pra eu lembrar essas histórias pessoais. Enquanto faço 73 anos, neste 11 de outubro, num domingo paulistano, amarcord.

               Abraços amorosos, obrigado.

     

            



Escrito por Tom Zé às 09h13
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