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CARTA AO CENSOR
Olá, caros coautores deste Rebanho de Vagabundos! A Carta ao Censor que vocês leem abaixo será publicada no livro que comemora os 30 anos da Cooperativa Paulista de Teatro. Quando eles me pediram para republicá-la - saiu em 1987, 11 de novembro, no Caderno 2 do Estadão - quando tantos que leem agora não tinham aterrissado neste mundo - li de novo, esquecido dela que estava. É passado. Não é passado, como A comédia humana e Katherine Mansfield - estou com ela na cabeça há uns dias - nunca serão passado. Essa Carta está na veia, aqui, presente, mas o antibiótico de outras conveniências históricas fez efeito, arre! Divido com vocês e agradeço a Cooperativa Paulista de Teatro, que permitiu que voltasse a lembrança desta que foi uma ginástica vital, verbal, dessas que influem na saúde e nas decisões que é preciso tomar em certas ocasiões: Carta ao Censor Ditadura, democracia, parlamentarismo... Que nome daremos a nossa escravidão? Prezado Eu não gosto do tipo de rapazinho insidioso que se esconde na redação de um jornal para valentias que não teria coragem de dizer ao senhor aí, na sua sala da censura, na Polícia Federal. Não pratico essa coragem covarde. Por isso minha argumentação é respeitosa e leal.. Não espero, tampouco, que juntos passemos a praticar os papéis de caça e caçador. Talvez até seu trabalho, assim, criasse para minha obra uma evidência maior, mas tal e tanta não me tentam. Não; quero somente levar ao senhor algumas considerações justas e indignadas. Senhor Censor: O ar que cada geração respira, em certa idade, é a REBELDIA. Não o digo eu. Veja nas religiões, veja na Teosofia, veja nas cosmogonias. O senhor mesmo, por exemplo, para se cristalizar como Ser, precisou dessa rebeldia. E ela lhe foi concedida, tanto que sua semente cresceu, galgou espaço, e agora exerce uma função importante. Mas, negando a seu filho a graxa com que ele vai metabolizar sua rebeldia arquetípica, esse filho não chegará nem ao que o senhor chegou. Portanto, o senhor está minando a estrada por onde ele vai passar. GRANDE-PAI-PÚBLICO Mas isto é pouco, isto é uma amostra. A verdadeira calamidade é que a sua função de censor o transforma num Grande-Pai-Público de toda uma geração, cuja estrada fica cheia de mata-burros, cujas células não podem se oxigenar, cuja eletricidade não encontra fios, cujo edifício não encontra solo. Cada homem contém a micro-história do Homem, senhor censor. E em cada homem se repete a sequência tese, antítese e solução. Neste mundo moderno que abandonou os contos de fada, nós, os cantores e poetas, temos que fazer de nossas peças crimes. Uma canção tem que ser um crime. Um crime, no mínimo, para que a violência congênita do ser humano “trabalhe” no mito; para que esse crime no mito elabore sem necessitar do consentimento. O senhor sabe, senhor censor? Aristóteles também pensava assim, e os gregos davam tanta importância a isso que usavam a Tragédia para “aliviar” as gerações. Já nós, aqui e agora, precisávamos daquela canção censurada para fazer catarse. Aquelas canções que o senhor me negou cantar vão fazer falta ao seu filho. Tanto ao seu filho pessoal e querido, quanto ao seu filho público e multiplicado, seu filho-geração. O senhor vê o que acontece no País agora, senhor censor? ALIANÇA FRENTE AMPLA Acho que nem eu nem o senhor estamos satisfeitos. Eu, por exemplo, pergunto: “e agora, poder civil, a quem poderei culpar?” Talvez o senhor tenha palavras diferentes para dizê-lo, mas ambos estamos indignados. Então, senhor censor, procurando em mim, no âmago do meu ser, uma atitude patriótica, um ato de amor pelo País, fiz o quê? Fiz aquelas canções que o senhor proibiu. Donde se vê que nós dois estamos em acordo e desacordo. Sim, pois, embora o senhor não possa talvez dizê-lo publicamente, ambos estamos decepcionados com a incapacidade e a corrupção que nos gere. Assim, estamos acordes quanto à doença, mas apartados quanto ao médico e à práxis. Por isto lhe peço, senhor censor, que, irmanados nesse desamparo nosso, desamparo que verga nossas diferenças pessoais, tentemos soletrar um nome ou um título. Um rótulo que procuraremos nos dicionários, gírias e neologismos... Ditadura, democracia, parlamentarismo, que nome daremos a nossa escravidão comum? Respeitosamente, seu criado, TOM ZÉ. |
Escrito por Tom Zé às 15h20
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Para Michael
29/06/2009 - 11h14 Leia "Amado Michael", poesia de Tom Zé em homenagem a Michael Jacksonda Folha Online O cantor Tom Zé fez uma poesia em homenagem a Michael Jackson, morto na última quinta-feira (25) após uma parada cardíaca. Leia a íntegra da poesia de "Amado Michael". AMADO MICHAEL (Tom Zé) Negro da luz que desbota branco Tanto talento tormento tanto Tanta afronta de pouca monta. Eia! virtudes em farta ceia Todo encanto que pode o canto Toda fiança que adoça a dança. Que deus nos furta vida tão curta? Mundo lamenta: ele mal cinquenta! A ninguém ilude essa bruxa rude. Paroxismo desse Narciso Que achou desgosto no próprio rosto E apedrejou-se com faca e foice. Avança a rua (uma dor que dança) E em seus telhados mandibulados Requebra os hinos do dançarino. Niños, rapazes, se sentem azes Herdeiros todos e seus parceiros Revelam parque, porto e favela. II Da Grécia três te trouxeram Graças Arcas repletas de belas artes Arcas que deram ciúme às Parcas. Que luz trarias tu, mitologia, Para um tal desatino de destino Que o espandongado toma por fado? Porque o povo grego disse que Se a hybris o herói consigo quis, Se condiz ao lado dela ser feliz Ele mesmo será pão e maldição Enquanto gera para os olhos de Megera
Escrito por Tom Zé às 11h48
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LETRA DE MÚSICA/ PALAFITAS NA VIZINHANÇA
Vamos agrupar mais assuntos duma vez, pra dar tempo de comentar. "Povo, querida" é uma letra que fiz há tanto tempo e, insistindo no comentário, tem o frescor da bronca perfeitamente novo, como um orvalho que não morre no decorrer dos dias, mal comparando, pois raiva e dor nem sempre casam com orvalho. Sérgio Dias fez um belo arranjo. Na "Folha" o título da canção que figura é "Querida, querida". Será que Sérgio Dias mudou o título? Depois da letra comento o post de uma moça que está cuidando da cidade. Povo, querida (Sérgio Dias / Tom Zé)
O povo, querida, querida,/ Há de sobreviver, querida, querida,/ Aos seus benfeitores, querida, querida,/ Às canções de protesto,querida, querida/ E à nossa bondade, querida, querida.
O povo,querida, querida, / Há de sobreviver, querida, querida,/ Aos paraísos, querida, querida, / Aos nossos sorrisos, querida, querida / E à nossa caridade/ E à nossa caridade.
Um lápis e uma régua/ Um resfriado me pega/ Um flash quase me cega/ Um memorando que nega. Um vento forte, um chuvisco/ No olho me entra um cisco/ Um som de casa de disco/ Uma cobrança do fisco.
Um desejo por vitrina/ Uma moça por esquina/ Hoje eu te pego menina/ Ao me sentar na latrina. Um cartaz de mulher nua/ Um cego atravessa rua/ Garçom, a carne está crua/ A mãe de quem, é a sua? Um ódio que me destrói/ O sangue corre corrói/ Eu quero ser um herói/ Vida de porra, my boy!
PORRA, PORRA!!! ___________________________________________ Comentando o bilhete da menina que está tomando iniciativa para cuidar da cidade: é bem coincidente, porque ontem à tarde no MAC - Museu de Arte Contemporânea, aqui no Parque do Ibirapuera em São Paulo, como sabeis de sobejo - fui me encontrar com Jean Paul Ganem, artista plástico que está participando do Ano da França no Brasil e com quem devo trabalhar daqui a alguns meses. A exposição dele, que está lá no museu, mostra fotos de uma favela que fica perto do Shopping Bourbon, nas imediações do Sesc Pompéia, da PUC. Todos nós passamos pra lá e pra cá e não vemos aquelas habitações inventadas pelo anjo da precariedade. Como há anjo pra tudo, deve haver aqueles que cuidam de paredes e homens precários. São os desvãos da metrópole escondendo pessoas, como insetos que fogem do dia indo pra debaixo de pedras. Mas nós, humanos, podemos/queremos mais. E revolvemos, derrubamos pedras, lixo, latas. Construímos casas com os restos alheios. É o lixão do consumo. Há edificações em madeira, palafitas paulistanas. Sabe? Elas descansam os olhos, fazem descobrir o engenho inventivo que miséria nenhuma pode matar. Você vê que as casas da favela conseguem se manter em pé, têm uma ordem implícita, são máquinas de morar. Constelações efêmeras nas fronteiras da grana alheia, dos comércios amaldiçoados. E nem assim as palafitas, sobre riachos que uma enchente pode pôr em perigo, conseguem deixar de parecer maquetes bárbaras, arquiteturas do que é possível arquiteturar nas vidas de pessoas especialíssimas, pessoas que brotam ao largo das cidades. Vieram pra cá pra fazer parte da novela das 8? Jean Paul Ganem e seus auxiliares brasileiros, Luciana e Mozart, estão convivendo com as pessoas que moram nesse entorno dolorido: algumas, que podem pagar 50,00 por mês, foram transplantadas de seus domicílios anteriores para prédios de concreto que a Prefeitura fez. Alguns não queriam ir, foram arrancados com raízes e tudo de onde estavam antes. É a radicalidade humana, no sentido de criar raiz. Mas se até os nômades têm sua radicalidade, com outras formas, tecidos, lonas, barracas, cores, mulheres. É no Mac, Ibirapuera, São Paulo, que está a exposição de Ganem. Abraços, pessoal. Misturei palafita com povo querida. Tom Zé, saudoso. Depois vejo se teve letra trocada no texto. Agora é correr.
Escrito por Tom Zé às 16h52
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Letra gravada pelos Mutantes - Folha de hoje
Notícia desta assessoria de imprensa do Rebanho de Vagabundos : Hoje na Ilustrada da Folha (é dia 24, dia de São João) saiu a letra de "Povo, Querida", que fiz há anos. A bronca ali contida está fresca, é de agora, vão ver. Sérgio Dias, com seu arranjo, deu uma brilhante colaboração musical. É parceiro. Encrenca pra Luiz Tatit nenhum botar defeito. Ou botar defeitos valiosos. Até, obrigado, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 10h17
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SHOW USP VELÓDROMO 26, 6A. FEIRA
Meninada, tem show na USP 6a. feira, dia 26, às 20h, no Velódromo. Serei acompanhado por Daniel Maia, vocalista/guitarrista/violonista e por Jarbas Mariz, vocalista/percussionista/violonista. Planejei o repertório para que vocês pudessem cantar comigo, pena que não será dia de São João, data tão importante, é o Natal nordestino de meio de ano. Mas a intenção das músicas é me juntar a vocês cantando. O telefone que tenho para informações é de uma organizadora, Rosana, 9725 6109. Abraço, até lá, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 10h12
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COMENTÁRIOS DE TATIT PARA VOCÊS
É isso aí, Tom Zé, sua leitura fisgou a linha mestra do texto. Não há o que acrescentar. Lanço apenas algumas paráfrases e alguns exemplos que poderiam eventualmente justificar a abordagem. De todas as triagens, a da bossa nova é a que mais tem interesse para os artistas e criadores, já que introduz uma seleção (e eliminação) estética numa fase em que a canção já tinha sua linguagem consolidada. É ela que volta de quando em quando para aparar os excessos (de paixão, de volume, de grandiloquência etc.) e retomar a clareza dos recursos essenciais da canção, normalmente localizados nos pontos de encontro da melodia com a letra. Esse capítulo 3 toca num aspecto polêmico que será desenvolvido no último segmento do livro: as canções de massa, mesmo as desprezadas pela estética vigente, exercem funções importantes na valorização das demais faixas de criação da música brasileira. Elas não concorrem com as “canções de autor”, geralmente bem mais elaboradas. Esse espaço de produção para “as massas” tem suas próprias leis de mercado, muitas vezes indecifráveis até por seus agentes fomentadores. São canções para se ouvir de longe, em grandes ambientes (estádios, ginásios, festas), e causar envolvimentos coletivos (danças, gestos, euforia) que em geral dispensam sutilezas ou escutas atentas. Quando as canções estrangeiras (em geral, as norte-americanas) dominam esse espaço nos nossos ouvidos, a própria ideia de sucesso parece então atrelar-se à expressão “em inglês”. Houve época em que nossos jovens roqueiros tinham vergonha de cantar em português pois que nesse idioma já estariam condenados ao fracasso. Essa virada de mesa do trio “pagode-axé-sertanejo” no final do século foi decisiva, a meu ver, para a autoconfiança do compositor brasileiro. Nossa música passou a ocupar todas as faixas de consumo, incluindo aquelas tradicionalmente reservadas aos gringos. Isso ajudou a despertar o ímpeto criativo de diversos roqueiros (como, por exemplo, Herbert Vianna, Renato Russo, Frejat, Cazuza etc) e de jovens em geral que gostariam de compor em sua própria língua (só se produz com espontaneidade na língua materna) e, no entanto, só tinham como referência de grande êxito a produção anglofônica. A canção norte-americana, diga-se de passagem, é extraordinária e sua influência é muito bem-vinda por aqui. O que se critica é a influência hegemônica simplesmente por contar com condições financeiras privilegiadas. O sucesso da música brasileira na faixa de grande vendagem (critério que este século praticamente demoliu pelas ações on-line) mexeu com todas as demais faixas de criação, além de ampliar consideravelmente o universo de estilos dos cancionistas brasileiros. O fenômeno da reabilitação de autores esquecidos e de profissionalização de compositores e músicos que outrora não teriam espaço, tudo ao longo dos anos 90, também constitui sinal da hegemonia brasileira. Creio que essa visão (isso está desenvolvido no último capítulo do livro) amplia o enfoque costumeiro que avalia o papel pontual das canções apenas por sua “qualidade”, “engajamento” ou “poder de inovação” e deixa de ver as contribuições de seu papel “extenso”, ou seja, aquele que se revela ao longo de períodos mais longos. Quem viveu a jovem guarda lembra-se bem de que havia um consenso em relação às canções criadas por aqueles jovens, a começar de Roberto Carlos: eram chuvas de verão que se extinguiriam assim que exaurisse o programa da Record. Hoje são regravadas e estudadas como clássicos da nossa produção. Considerar o “longo prazo” imbutido nesses fenômenos pode apurar os critérios de avaliação imediata. Obrigado a você e a todos os blogueiros por fazerem vibrar os conteúdos deste e de outros livros que, impressos em papel, são candidatos a “letra-morta”. Abraços a todos Luiz Tatit
Escrito por Tom Zé às 12h18
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TATIT: AFUNDANDO NA ENCRENCA
Mergulhando na cultura de massa: nós e a música brasileira. Nas páginas de "O Século da Canção" que leremos juntos agora, há dificuldades até morais. Nada de novo, pois quem fala em comércio e mercado fala quase sempre em dificuldade moral. Desde Aristóteles se sabia disso, quem sou eu pra lhe dizer - a ele, Aristóteles - que deixe disso? Mas veja, quanto se esperneou à chegada do axé, das duplas sertanejas. Exercíamos uma pequena liberdade de escolha, que era a de substituir, por eles, as opções de grande público até então existentes; em boa parte, norte-americanas, estrangeiras. Vamos à encrenca, botar a lanterna em cima. No caminho, na leitura pessoal de vocês, haverá muitos atalhos que acharão importantes, que os chamarão para a conversa tanto quanto estes tópicos cá de baixo me chamaram. É a ótica pessoal, exerçam. Pgs. 91 e/93 – Tatit fala de assimilação – processo característico do tropicalismo, que podemos chamar de inclusivo, e de triagem – processo demarcativo, que nos remete à bossa nova. pg. 93 – primeira triagem foi técnica; chegaram ao Brasil no começo do século 20 os primeiros aparelhos de gravação. Músicos da época criavam melodias/letras próprias para diversões noturnas, esquecidas na próxima brincadeira e que “tinham o ... destino da linguagem oral [diária], desapareciam...” (Quanto de insólito ou que gostaríamos de ter conhecido perdeu-se, pessoal, nessa evanescência, música que se esfumava, cumprido seu papel de momento efêmero.) Para os aparelhos de gravação recém-chegados os empresários testavam uma forma musical adequada e os artistas queriam registrar suas criações ... [e ganhar com isso]. Sonoridades que não se adaptavam à nova técnica foram eliminadas; o samba partido-alto foi o piloto de prova desses registros. Começava a conformar-se a canção popular com as características de hoje. pg. 97 – segunda triagem: abastecer o rádio com canções de carnaval e de meio-de-ano. p. 98 – letras refletem o sentimento de falta. p. 99 – terceira triagem, de ordem estética – a passionalidade do samba-canção cedeu a Tom Jobim e a João Gilberto. Eliminação de excessos, numa precisão que recusa até a “complicação inútil” de improvisos jazzísticos. p. 102 – Roberto Carlos e o iê-iê-iê brasileiro sempre estiveram ... mais próximos de João Gilberto do que a turma que deixou a bossa nova para criar a sigla MPB. ... linha direta entre o canto mais refinado (JGilberto) e sua voz mais popular (RCarlos). 103 – hipertriagem: Vandré,[promovendo] que a música popular [daquela fase] fosse unicamente a canção engajada, de preferência de sua autoria e criação interpretativa. Revide tropicalista: sem que os tropicalistas nutrissem nenhuma simpatia pelos usurpadores do poder político ... a atitude de Vandré foi munição para que se opusessem à música de protesto e a seu espírito de exclusão... [Para o] tropicalismo a canção brasileira é formada por todas as dicções ... vulgares ou elitizadas, do passado ou do momento – [sem] exclusão. [Com isto lia-se a] equivalência das ambições da música engajada e dos métodos excludentes dos generais. p. 104 - quarta triagem – música sertaneja adaptada pelas gravadoras ao circuito de rádio e TV, ocupando o segmento passional, de música “de meio-de-ano”; p/ espetáculo de tv que rivalizasse com cantores-dançarinos americanos, o espaço foi ocupado pela música axé, pelo pagode. O critério foi o consumo explícito, orientado por empresários e acordos com veículos de divulgação. Impressionante crescimento de consumidores de música no universo popular. Eliminação de coplexidade harmônica ou rítmica. Substituição da música americana comercial pela brasileira. TV programando encenações de grupos de axé e pagode. Tatit encerra o capítulo na pg. 110: ... “Nada como uma boa globalização para ativar as forças locais. As regiões, em suas diferentes escalas, vinham dando de goleada.”
Escrito por Tom Zé às 12h58
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SEU PIROCA. BOAS PENADAS. LIMPIDEZ MÃO DUPLA.
Esse negócio de 200 saias rodadas, Émerson, tem alguns detalhes: eu estava fraco na hora e não tive coragem de botar na música, mas em Irará seu Pedro na verdade é seu Piroca. Quer dizer Pedro Pequeno, é um apelido meio russo. Seu Piroca era encarregado, todo o ano, na festa da padroeira, das chamadas “festas populares”, que abrangiam a lavagem da igreja, até hoje feita na primeira sexta-feira de fevereiro, à tarde. Seu Pedro anualmente tirava dinheiro do bolso pra comprar todas as saias de chitão, aquele tecido em estampado bem vistoso, chega-brilha, como se diz na Bahia, abreviando “chega a brilhar”. Ele era também um homem de inteligência agudíssima, tinha respostas sensacionais, escolhidas no cesto da simplicidade e que acabavam soando mágicas. Começaram a dizer que a segunda mulher dele tinha tido uns entreveros amorosos com uma criatura de Irará. Boato pra lá, boato pra cá, um dia ele saiu à porta de sua venda e gritou para o comércio todo ficar sabendo: “Eu não quero saber mais de conversa sobre isso ou aquilo, Marocas tá em casa e vai ficar em casa. Não quero saber se ela subiu ou desceu, se fez ou não fez, se deu ou não deu. Quem manda nas minhas casas sou eu e ela fica lá.” Depois eu vou respondendo às outras pessoas que me escreveram. A idéia de autobiografia é boa, Pedro. Espero cuidar disso. Fica por conta do quando. Com a inclusão das penadas dos opinativos colaboradores blogueiros. Que também estarão lá quando o assunto for leituras conjuntas. É um assunto importante, e preciso trazer com mais freqüência mais gravetos para este fogo. *** Eu ia escrever lenha e não gravetos, mas cada vez que vejo aqueles montes de toras em porta de pizzaria me doo todo. São ossos e cabelos do planeta Terra partidos, cortados diariamente, incinerados, para preparar uma forma de comida. Ainda se gabam por escrito na porta: “feita em forno a lenha.” Com tanta tecnologia recente, tá mais do que na hora de optar por um progresso na feitura, não tem outro jeito não? *** Voltando: vamos alimentar o fogo da leitura, começando por mim. Logo trarei outro bom naco do livro de Tatit para nós todos. Ele, a propósito, comentou: “Um blog que incentiva a leitura! Diretamente do livro para o blog!” – muito se admirando com as interessantes intervenções e observações de vocês. Está havendo um mimetismo, nos comentários de “O Século da Canção”: Tatit escreve com limpidez, devotado ao assunto – nem sempre autor se devota ao assunto, às vezes uma forma qualquer de exibicionismo se encarna no texto – e vocês têm se manifestado também com limpidez, recorrendo a exemplos factuais e com reflexões oportunas.
Escrito por Tom Zé às 10h46
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CORREIO DA ESTAÇÃO DO BRÁS: ONTEM E HOJE
CORREIO DA ESTAÇÃO DO BRÁS: ONTEM E HOJE Ontem Vejam só, Émerson, Augusto, e os que nos acompanham em silêncio: a distância confere uma perspectiva que o momento às vezes não tem. Oferecimento E eu aqui, oferecendo herança a vocês, filhos que me lêem. Não imaginava encontrar legados e destinatários por meio de discos, deste disco. Quando gravei o “Correio...”, algumas pessoas que me cercavam falavam mal do dele. Esnobação, acho. Ou, sabe? Depois de “Estudando o Samba”, de me ocupar de situações urbanas em “Grande Liquidação”, de ganhar festival falando na maior capital da América Latina, acho que é o que é São Paulo, quem haveria de dizer que eu me voltaria para a origem rural? Que alguns chamam de caipira, na minha terra chamam de jeito tabaréu? Isso é não querer permitir que o trabalho musical seja um poliedro, que o catavento gire. Para alguns parece traição, pra onde é que esse cara vai? Ou se fala em “coerência”. Não vamos escavar tanto, deixemos para outra vez. Não deu para obedecer a essa restrição. Um homem é mais que. Quase hoje Anos depois, Jan, de Colônia, que trabalha em rádio na cidade e conhece alguma música brasileira e muita música internacional, se espantava com a “qualidade melódica” ou rítmica de certas faixas. Ontem – Bença, Mãe! Na TV Cultura – São Paulo – Fernando Faro fez um programa, um filme chamado “Bença Mãe”, mostrando nordestinos que não podiam ir para seus Estados na época do Natal. Uma menina que viajaria sem a mãe ficou se despedindo aos gritos, na janela, enquanto o ônibus partia: “bença, mãe! bença, mãe!” Foi o título natural do filme. Na colheita de depoimentos, os entrevistados não tinham empatia com a entrevistadora, uma paulistana. Para tirá-la do aperto, eu, que estava presente aos diálogos, me ofereci para fazer uma das entrevistas. Acabei fazendo todas, pois as pessoas confiavam em mim, na nossa semelhança cultural. Durante as filmagens fiz as canções que depois foram para o disco. Eram rascunhos do que seriam depois. No estúdio melhorei um pouco as canções. Em qualquer arte em que você entre poderá processar o grau de matemática ou sofisticação, o grau de engenho de que pessoalmente é capaz. Não quero me gabar, não se trata de gabolice. Falo de necessidade de rumo, de aspiração, de recursos. Ao lado disso, seria começar uma autobiografia dizendo que desde os 8 anos de idade não tive a menor vocação pra música. Só me interessei por ela aos 17 anos e nela entrei como quem pedia socorro àquele métier, ao bloco profissional. Em Irará havia alguns integrantes desse bloco profissional, alguns músicos. Olhando pra eles achava que, entre as pessoas em geral, eram bem gratificados pela afeição, pelo amor que recebiam de seus coevos, das pessoas que os rodeavam. Achei que podia ser bom pra mim, que poderia ter algum resultado. E comecei a me esforçar. Era o que estava perto - Afinidade A música era uma possibilidade que estava mais à mão: o violão, a opção pela cultura moçárabe da roça. E também senti afinidade e simpatia pela forma. Por isso escolhi música, fui atrás dela. Desistência Acabei entrando no buraco do insucesso, houve o grande fracasso de não conseguir cantar pra namorada. Nesse dia, desisti de fazer música. Foi então que se estabeleceu no meu inconsciente o projeto herético de processar/elaborar todos aqueles preceptores-babás da minha infância. (Demonstrei esses preceptores-babás num gráfico que juro que está aqui no blog, lá atrás.) Primeiro eu queria estabelecer um novo acordo tácito (Tatit é que gosta disso): desfazendo letras de música, fazendo antiletras. Eu achava as letras muito empoladas, identificadoras de um tipo de cantor que houvera imediatamente antes de mim. No berro Eu convivia com eles mas não podia imitá-los. Achava que podia haver outra forma de canto diferente daquele que queria convencer o ouvinte pelo berro, por aquela gritaria. Comecei um projeto de fazer uma música que fosse capaz der esconder que eu não era cantor. Tanto que minha música, o eu músico Tom Zé no princípio só pôde fazer retratos fotográficos de Irará e de seus personagens. A moldura Depois compreendi que uma cidade grande como Salvador também poderia caber dentro dessa moldura. Fiz com os jornais da semana o painel musical chamado “Rampa Para o Fracasso” para um programa de televisão chamado “Escada Para o Sucesso”. O título era um tipo de contraponto verbal. E eu já tentava aproveitar todos os elementos para compor uma música tátil. Eu não sabia que procurava a tatilidade, mas queria uma reação imediata. Bê, os sentidos Falando em tatilidade, me lembro de Bê, cujo sentido privilegiado não é a audição, à diferença dos músicos. Talvez ela possa comentar alguma coisa, se quiser. Rampa, TV, hoje seria chamado de performance Meus cálculos de imediatismo comunicativo na primeira apresentação na TV foram bem-sucedidos. McLuhan chama a TV de meio frio, portanto a tecnologia da época acaba colaborando com um projeto artístico; foi o que a então incipiente televisão fez comigo. Hoje tento manter essa intimidade, esse relacionamento íntimo com a atual TV, já bem diferente: faço o número do violão desmontado, rasgo roupa. A Carta E vocês todos que estão falando da “Carta”, puxa, vocês precisam ver a representação cênica da “Carta”: é uma outra obra superposta a essa música. Me lembro da primeira representação da “Carta”. Foi em Caixas do Sul, para 40 pessoas sentadas numa associação de trabalhadores. Em vez de janela, a sala tinha um vitrô basculante,era um lugar um tanto desusado para apresentações. A platéia começou um tipo de riso nervoso, algumas pessoas não se continham. Eu, assustado também, como elas, com minha própria invenção, fiquei com medo de mim e daquela risada nervosa, assustada. Só para esclarecer um pouco como é essa representação: a letra é platônica, de um lirismo seco. Mas, encenada, o violão faz papéis, se transforma: vira mulher, cavalo; minha camisa vira blusa e saia de moça. Cria-se um romantismo muito carnal, parece uma edição de “Playboy” contraposta à doçura do texto. Lavagem da Igreja de Irará – engenharia genética Acho que a melhor música que fiz até hoje foi “Classe Operária”. Mas a “Lavagem da Igreja de Irará” foi a de complexidade matemática mais ousada. Porque eu pratiquei, com o folclore do meu tempo, uma espécie de engenharia genética avant la lettre Em 1959 não era difundido popularmente o desenvolvimento da engenharia genética; só vim a saber dele a partir de 68, no suplemento cultural do jornal “O Estado de São Paulo”. Em 1960, sem nem imaginar o que estava fazendo, abri o código genético do folclore, que é uma espécie de receptáculo sagrado, religioso: abri e coloquei personagens vivos do cotidiano de Irará. Hoje muitos estão mortos, voltaram ao universo da religião. Abri o mito cristalizado e implantei os personagens: minha mãe de santo, dona Melânia, sinhá Inácia, Zé Tapera, que soltava foguete em todas as festas populares -- enquanto a banda de barbeiros tocava Zé Zé Zé Popô. Estou dando esses elementos com os quais fiz o disco. Metade de Irará, metade da TV Cultura, eu lá na estação socorrendo a entrevistadora, os passageiros do Brás não confiavam no sotaque da moça.
Escrito por Tom Zé às 17h49
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BRIGA DE ASSUNTOS
Pessoal, atropelei vocês com dois assuntos, ter um pouco de tempo como estou tendo pode não ser bom. Falei muito. E deu Tio Fernando brigando com Luiz Tatit, parece cantiga de cordel. O fato é que os assuntos tratados no livro de Tatit e que figuram no texto ou post anterior, como vocês chamam, são muito importantes também. Quem pensa mais a respeito de música brasileira, do caminho que ela faz na nação da gente, fica mais forte, menos sonso. Aguardo as discordâncias e concordâncias de vocês. As de Eduardo estão bem vivas. Mas ou entendi mal ou ficou confuso, Eduardo: quando Tatit fala de música instrumental, continua falando de música popular, não de música erudita. É isso aí? Abraços, obrigado. Que esteja posta em sossego e dormindo a criatura que disse que "obrigado" não podia ser coisa minha, que desconhecimento do caipira, tabaréu, homem do interior, ora se! Se for antropóloga, ela terá enguiços na carreira. Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 10h35
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TOM ZÉ, QUEM É AQUELE SENHOR DE TERNO BRANCO?
Foram muitas as perguntas sobre meu tio hoje idoso que participou da homenagem que me fizeram no Programa Raul Gil. Hoje ele tem 90 e alguns anos. Foi um orador muito brilhante, sempre, e figura que batalhou por questões importantes do Brasil. Antonio Risério, o interessante escritor baiano, escreveu há uns 3 anos a biografia dele, “Adorável Comunista”. Observa que Fernando, nos seus 50 (cinqüenta, gente!) anos de atuação política, não seguia a cartilha do engagément mal humorado: dançava sempre, era muito festeiro. Fernando Santana se formou em 1944 em Engenharia e foi desde bem jovem membro atuante do Partido Comunista. Quando estudante, foi presidente da UNE. Em fins dos anos 50 se elegeu deputado. Continuou atuando na câmara, sempre com independência e integridade, até ter seu mandato cassado no início da ditadura. Em 59, ele, Almino Afonso e Neiva Moreira formaram a Comissão de Comunicações da Câmara Federal encarregada da implementação do Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT). O Brasil, em termos de comunicações, vivia na pré-história. Estive no Rio, então ainda capital federal, e presenciei muitas das discussões sobre a seleção de alternativas de comunicação que já funcionavam em muitos países civilizados. Presenciei uma verdadeira luta, com as multinacionais pressionando o projeto através do exército, do governo, de propinas. Os três elaboradores do código enfrentavam todo o tipo de perseguição e achaques, lutando para optar pelo material e pelas alternativas realmente convenientes para o Brasil e nosso futuro. Foi a própria ditadura militar – necessitada de uma rede de comunicações eficiente, já por outros motivos - quem instalou o código planejado por eles. Esse código se tornou famoso no mundo todo como adequado e sabiamente escolhido É o que usamos hoje para telefonia, rede de TV, para todo o tipo de comunicação. Fernando ainda hoje conserva a coordenação e, interiormente, o pathos do orador que foi. O autor do Código Brasileiro de Telecomunicações foi alcançado pelo tempo e tem hoje sua flama comunicativa diminuída por ele. Tai o que vocês queriam, saber quem é aquela criatura: é meu tio Fernando. Abraços, tribo danada. Obrigado. Tom Zé.
Escrito por Tom Zé às 16h34
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LENDO TATIT JUNTOS
Pessoal, da página 43 à 89 de "O Século da Canção" de Luiz Tatit, Ateliê Editorial, temas recorrentes, sempre discutidos, brigados. Entre vocês há apaixonados por música e também compositores. Pano pra manga e pra divergências que podem ser esclarecedoras. Falaremos (falarão) de influência americana, estrangeira, de vanguarda erudita, da era televisiva, de João Gilberto (é claro, de quem mais?!). Transcrevo Tatit, sem ser muito opinativo, aguardando vocês. O autor figura em em itálico. Pg. 43 canções ... que se reportam ... aos velhos batuques com seus cantos responsoriais... elaboração da letra ... união... conjunção de personagens com seus valores ... No começo era o batuque. Bom lugar para citar Vico, filósofo que diz que o homem primeiro cantou, a fala veio depois. Nesta altura Tatit comenta a integração música e palavra na canção brasileira. pgs. 44 a 46, Tatit fala s/ Vanguarda Erudita, contatos entre esfera popular e música de concerto, sem desmanchar o fato de que música brasileira sempre induzia a pensar em canção. Pg. 48, ... músicos, discos, cinema ... [trazendo o projeto norte-americano de “felicidade”]. Dick Farney e Jonny Alf, Lúcio Alves, Tom Jobim, Nora Ney... Sinatra-Farney Fan Club, desvelando o fascínio exercido pela nova estética que vinha de fora. Pg. 50 – João Gilberto ... grau zero da sonoridade brasileira... despojada ... Pg. 51 – [convergem para a canção] figuras consagradas da elite artística brasileira, o que daí em diante se tornou fato habitual. Tom Jobim, ... Vinícius ... Augusto de Campos. Glberto Mendes, Júlio Medaglia ... João decantou a canção ... até dos procedimentos virtuosísticos da música norte-americana ... [ reprogramando] a gênese de todos os estilos, passados e futuros. ERA TELEVISIVA Pg. 53 – O Fino da Bossa, que de bossa nova tinha muito pouco; Jovem Guarda [esta, na esteira do rock internacional, ... que crescia espantosamente] TV Record era a casa da Tia Ciata da era televisiva. Da MPB, na versão “protesto”, à jovem guarda, que tinha... a leveza da bossa nova mais do que a canção de protesto da MPB... com sua oratória distante da fala cotidiana... e harmonia tão simplificada quanto a dos guitarristas [da Jovem Guarda].. ... surgiram Chico, Milton, Vandré, Paulinho da Viola, Caetano, Tom Zé e outros que vieram para ficar. Pg. 55 – Nunca mais tivemos um canal de TV... dedicado a todas as tendências de nossa canção. A DECOMPOSIÇÃO TROPICALISTA Pg. 59 – enquanto a bossa nova era sucesso no Carnegie Hall em Nova York ... com músicos em trajes de gala... tocando comportadamente instrumentos acústicos ... os tropicalistas e suas cabeleiras hippies, colares, camisolões... guitarras ... ... falência do “esquema Record” diante do “esquema Globo”... contribuiu para encerrar... o período mais concentrado e participante da história da sonoridade nacional. O vírus tropicalista, porém, já estava disseminado ... Pg. 59 (cont.) Principal gesto tropicalista: a assimilação. Num artigo para o “O Estado de São Paulo”, há cerca de dez anos, comentando bossa nova e tropicalismo, eu dizia, como Tatit neste livro, que o tropicalismo abriu a porta para novas assimilações. O artigo tomava a bossa nova como invenção, contrapondo esse aspecto ao do tropicalismo, que seria mais assimilador. . Pg. 60 – Capacidade de previsão [das chamadas leis de mercado] é de curto alcance, ao menos [quanto a] produto de natureza artística. Pg. 62 – Tatit fala de seu grupo Rumo ... sobre a ... entoação coloquial como chave para a composição melódica. Grupos musicais surgidos... cantando e contando letras narrativas ou de situação. Pg. 64 – Música sertaneja ocupou o quinhão da sonoridade passional brasileira e atingiu picos inimagináveis de venda. O SÉCULO XX EM FOCO Pg. 70 - os resultados obtidos [no caso da música instrumental] estão longe de representar a principal via da originalidade brasileira, se não pela qualidade, em comparação com a criação musical do resto do mundo, pelo menos pela quantidade, pouco expressiva se a confrontarmos com os números exibidos na área da canção. Típico pé de briga, ao menos para instrumentistas que lutam em seu início de carreira. Discussão pronta para ser travada no terreno da suscetibilidade diante das feridas causadas pelo tal mercado. 71 – a nova letra, que só se consolidou com Sinhô [1920], substituiu o compromisso poético pelo compromisso com... a melodia ... a adequação entre o ... dito e a maneira (entoativa) de dizer) Outra contribuição para discussão travada a cada mês, cada ano: letra é poesia? 72 - ... jamais [desde o princípio da utilização da tecnologia de registro sonoro] se interrompeu o fluxo de criação e perpetuação das formas cantáveis da fala, gerando no Brasil uma das tradições cancionais mais sólidas do planeta. 80- ...[em Jobim] a influência do jazz foi utilizada na reabilitação das dicções enunciativa e temática, ... sistematicamente neutralizadas pelo sucesso popular da dimensão passional [bolero, tango, canção passional]. 82 - ... festivais, ... campo de batalha. Foi quando surgiu a expressão MMPB (Moderna Música Popular Brasileira), ... reduzida para MPB, cuja correspondência com siglas de partidos políticos não era de todo casual. Em “O Fino da Bossa”, ouviu-se “Quem não está conosco, está contra nós”. Luiz Vieira, ao apresentar-se no programa, ouviu invectivas da apresentadora, Elis, por ter composto uma guarânia.
Escrito por Tom Zé às 15h20
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Serviço de Tom Zé para o blog
Rebanho de vagabundos querido, o e.mail das produtoras do Programa Raul Gil pode ser útil. Bê precisa de legendas, alguém mais pode precisar de outro serviço da emissora. As moças são Cláudia Menezes e Cláudia Orlando. São muito gentis, delicadas e trabalham incansavelmente, com boa vontade. claudia.menezes@luarcompany.com.br claudia.orlando@luarcompany.com.br Este é um ditado, estou longe do computador, mas tiro da cabeça esta que pode ser uma necessidade de ajuda à tribo da qual faço parte. Beijos, obrigado, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 09h44
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RAUL GIL SÁBADO/FALANDO DA TRIBO
O programa Raul Gil, tv Bandeirantes, sábado às 5 da tarde, vai passar "homenagem ao artista" e me escolheram pra fazer. Muito bom esse diálogo ou pelo menos apresentação a pessoas que têm outros códigos e preferências - ou seriam hábitos? Duro, ó meninos da tribo, foi conseguir achar pessoas de meu conhecimento mais próximo, vinculações arraigadas, que não ficassem com vergonha de fazer. Esses pre/ceitos/conceitos de classe se escondem nos armários dos classe-média que somos, ora poxa. E nós lá, trancados com esses medos. Olhando pro vizinho pra ver se podemos, se alguém acha feio. Bom, pessoas como Zé Miguel Wisnik, aquele que anda em estrelas e em perifas com um olhar de tanto interesse, e Arthur Nestróvski, ah, Arthur e o que ele sabe, e Zuza Homem de Mello, e o professor especialista em cultura negra Christopher Dunn, ah, pra eles foi feijão-com-arroz. A presença de todos me surpreendeu, me deixou arregalado de alegria. Elifas, Cláudio Tognolli, ah, me mato de vergonha de não lembrar tudo em ordem. Depois a gente conversa. Cris querida, comentário que ficou frequente pra nós, Bê, Émerson, Eduardo, gente nova que me contaram que tem, "um pessoal que escreve como fala, esperto", ora, me pararam na rua pra contar que vocês têm tido discussão muito viva sobre sofrimento mental. Respondi: Tá pensando o que dessa tribo, ora se? Hoje de madrugada, quando voltar, leio tudo. Tatit vem vindo, num ônibus reli até a página 83, passo pra vocês logo, esse logo tão atrasado. Beijos, Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 21h11
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EU VI VOCÊS!
Queridos correspondentes, rebanho de vagabundos, encontrei vocês ontem depois do show, foi o pouco que, pela confirmação em carne e osso, passou a ser muito. Queria ter conversado direito. Com hora para deixar o teatro, liberando o camarim para o próximo ocupante, e saindo das proximidades do teatro também para dar espaço ao próximo, não deu para desfrutar vocês como eu queria. Mas vi. Relances. Vi Rodrigo, Marlos, Émerson, que fez comigo a viagem de volta, fizemos da van sala-escritório, anotando detalhes de trabalho. Neusa me contou de Cris, "que pena que ela não é nossa vizinha, teríamos o que conversar, apesar da diferença de idade". Passo o recado, Cris. Que pena não ter visto você! Espero que num camarim, num dia em que vá à cidade de vocês, tomara que, haja mais tempo. Vita brevis, poxa. Pra vocês que estão ainda vendo a Virada, que haja muito que ver. Pedi licença ao pessoal do Rio com quem estou trabalhando aqui desde as primeiras horas da manhã, sem dormir quase. Quis falar com vocês, pois minha cabeça está nos rostos bonitos que vi na saída do teatro. Rodrigo, que a GBroadcasting deite e role. Marlos, André, todos... Para quem não veio, um abraço expandido. Nesta semana tomara que nos encontremos na leitura de Tatit. Que saudade, sem ensebação, que saudade mesmo! Tom Zé
Escrito por Tom Zé às 11h30
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