Blog do Tom Zé
   



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COMUNGO

Pessoal, não falo de hóstia, que também é fenômeno complexo, carne e sangue, vestígios de sacrifícios e ingestões bárbaras de tempos primevos que se transmutaram em farinha de trigo no cristianismo. Na missa a hóstia se transmuta de novo em corpo, carne e sangue. É pouco, esse percurso?

Deixando a hóstia sossegada: aqui comungo é com um de nossos interlocutores, Diego Héberson, que escreveu atirando a toalha por causa da situação dantesca do País. Tirei as aspas do adjetivo. A Florença do Dante da "Divina Comédia" também tinha lá seus esgotos, não inventamos a canalização de detritos, mas tentamos aperfeiçoar a cara-dura. O horror, o horror!, como diz Conrad.

Diego, não se renda. Você já fez alguma coisa. Já escreveu pra cá, falou. O teatro ruim, de quinta, que essas pessoas, esses que estão por cima, fizeram, não colou. Dramaturgia tem finalidade maior. Precisa no mínimo ser bem-feitinha. Abjeção. Veja como Shakespeare está coalhado de traições, de rasteiras -- o substantivo, o passa-pé mesmo, não o adjetivo --, de dejetos. Mas era o Bardo contando, não era um assessor/pau mandado dando texto pífio prum bando de meias-bocas dizerem.

 A democracia, com a necessidade de exposição de (alguns) fatos, alguns, pois o mar de nosso desconhecimento não tem limites, traz a conseqüente proliferação desses biombos, desses esquetes de ínfima categoria. Há um benefício: você vai vendo quem é quem. E é bom não se esquecer do que viu.

 Diego, eu também fico triste; mas a coragem é um socorro permanente, vamos a ela.

 Berg, não entendi direito a história do filme, mas é uma brincadeira boa.

 A todos,

abraço,

Tom Zé 



Escrito por Tom Zé às 17h51
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COLEGAS E CHIADAS, ESTE SÁBADO

Depois da brava chiada de Alexandre, que está na roda conosco, vejam o que ele escreve, obrigado, Alexandre, parei um ensaio com Jarbas e me ponho a falar com vocês um pouco.  Quase uma da tarde.

Comentários sobre o show de ontem no Sesc Pompéia, agora.

Conheci pessoalmente Júpiter Maçã, ou Flávio Basso, ou inquietação corajosa, a ousadia dele no palco é boa, fez uma curva ascendente no espetáculo, mas tenho de ouvir os cds dele de novo, para ouvir direito a letra, pelo visto, pelo visto mesmo, literalmente, Maçã merece.

Me disseram que somos "descamisados", nós dois optamos pelo peito aberto pra fazer a apresentação.

Também vi/ouvi Roberta Sá. O alcance vocal e suas falas dirigidas ao público, seu tipo de interação com ele, os requebros pontuando momentos da canção, remetem às cantoras de rádio dos anos 50 com quem certamente ela nem em sonhos conviveu, é muito jovem. Interessante que depois de várias gerações uma menina venha encarnar a mesma expressão estética, pré-bossa-nova.  Uma surpresa.

Pensando neles dois, pois pra falar de todos, da bonita pernambucana Isaar, é pouco este intervalo de ensaio, gostaria de ser escritor. Veja só, há hora em que um escritor tem mais que fazer num show de música, como observador e relator, do que um músico. É um cruzamento de raios, de expressões, de que a literatura poderia dar conta melhor.

Leram-me um trecho de Sándor Márai, escritor húngaro ("As Brasas", "De Verdade" -- Companhia das Letras). Lembrei-me de Borges, aquele maravilhoso reacionário: ele se abespinhava com psicologizações, amava Robert Louis Stevenson, relatos de aventura. Márai, no trecho que leram pra mim, possivelmente arrepiaria Borges. Mas, pensando bem, o que os autores de capa-e-espada criam nos brigues dos piratas Márai cria dentro das almas; dá a impressão, às vezes, de que os movimentos interiores são quase todos inventados, de que os estados de ânimo, as reações descritas, são imaginadas. Ele viaja sem sair do lugar, dentro das oscilações anímicas dos personagens. Também vale, porque o delicado fio que nos faz prosseguir é aquela pergunta: "está bem, já sei, ele sente isso ou aquilo, mas o que vai acontecer agora?"

Grande parte do relato literário sobrevive e tem leitores por causa dessa pergunta.

Chega, senão Jarbas vai embora. Ele já tomou água, deu umas cutucadas nas cordas do cavaquinho, o sábado avança, daqui a algumas horas vejo você, que, assim espero, estará sentado na penumbra, meu interlocutor de hoje. É uma das razões pelas quais pra mim vale a pena ir, mas não posso pontilhar mais sobre o que vale a pena.

Até breve, um beijo,

Tom Zé

 

 



Escrito por Tom Zé às 13h18
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SHOW E FILME CHEGANDO, + ...

O assunto, de novo, é filme. Não virei cineasta nem lanterninha (pra quem não sabe, era ou é aquele indicador de lugares que ligava uma lanterna de pilha e ia acompanhando o atrasado no escuro até um lugar vago, pra ele não se esborrachar no chão).

Aviso a quem me perguntou, aqui, no site, por telefone, por e.mail, que o dvd do filme "Fabricando Tom Zé" irá pras locadoras no dia 1 de agosto, deve ser data garantida pois o diretor do filme, Décio Matos, marcou data de assinatura de autógrafos do dvd no dia 8, 6a. feira, às 7 da noite. Será na Fnac, em São Paulo.

Nesta sexta, sábado e domingo, de 18 a 20, no Sesc Pompéia, vai ter show chamado Era Iluminada - Tropicalismo: comigo, + Roberta Sá + o rapaz do Júpiter Maçã, + Isaar, de Pernambuco. Banda e organização musical de Lucas Santtana, filho de meu primo que diz que é meu sobrinho pra ele não parecer velho -- não tem como parecer, já que não é.

Enquanto isso, vou gravando o disco. Tem hora que dá a impressão que o tempo não é elástico, como de fato é, mas que se afunila. Me agride. Já viram incoerência maior do que o tempo? Cada um diz uma coisa: que ele é foice, que ceifa, acaba com a vida, ou que origina os universos, os organismos celulares, as estações. Já os anglo-saxões dizem que ele é dinheiro. Sem querer ofender o dinheiro, é um reducionismo tarado.

Tenho de escrever pra Gerald Thomas. Há um ou dois anos ele recomendava nos jornais o filme Deus é brasileiro. Fiquei muito alegre com o roteiro, com a exatidão do tempo (lá vem ele de novo) cômico, com as atuações. Tem João Ubaldo Ribeiro com outra pessoa fazendo o roteiro. Só vendo os créditos de novo. Muito bom mesmo, Thomas tem razão.

Vou trabalhar.

Abraços,

Tom Zé

 

 

 

  



Escrito por Tom Zé às 11h15
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FILME NA FLIP, "PALAVRA ENCANTADA"

Noticias da FLIP, mandadas por Márcio Debelian. O filme "Palavra Encantada" passou lá, foi aplaudido em cena aberta, estou esperando cópia para ver, curioso. Vejam o comentário de Márcio aqui:

Este fim de semana tivemos as duas primeiras exibições do Palavra Encantada durante a FLIP. A recepção foi muito calorosa, o que nos deixou muito felizes e confiantes com a trajetória do filme. Todos adoram a participação do Tom Zé e, nas duas exibições, tivemos aplausos em cena aberta após Jimi Renda-se/Moeda Falsa. No caso de Moeda Falsa, estamos usando imagens do show de Torino, captadas pelo Décio, mas não usadas no “Fabricando”. Tom Zé, é um orgulho muito grande tê-lo no nosso filme.

 Aproveito para desejar sucesso no novo disco. Comecei a acompanhar o blog hj. E Parabéns pelo disco ao vivo na internet! Estou baixando agora!

Um grande abraço,

Marcio

 

 



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Escrito por Tom Zé às 18h34
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RESPOSTAS DIRETAS, MAS, ENTÃO, CAEIRO

... do seguinte,

Renato, sobre o disco de 72 que você está ouvindo: o repertório raramente vai para show com banda, que já tem um leque extenso, não vão dizer que a banda tem leque, eles não são personagens de romance espanhol, são meninos brabos e/ou por isso tímidos, apesar do senso de humor deles. Enfim: a banda não se abana, não tem leque. Tem repertório, extenso mas que não recua até 72, na seleção que temos de fazer nas apresentações o passado é um olho na janela, não a cara toda. Nem sempre.

Em alguns shows solo canto essas músicas, Renato.

Rodrigo e Pedro Paulo, o primeiro, falando em Vila Velha, novembro, vamos ver o que acontece. A previsão do disco é pro segundo semestre, estou trabalhando feito doido pra isso.

Paulo Eduardo, obrigado por localizar Tárik no JB. Vou procurar o JB de papel em São Paulo, já que o jornal é do Rio. Intenção: colecionar críticas dele pra ler várias, como em livro. É um grande crítico, concordo com você. Merecia ser lido, estar em revistas de difusão nacional. Que acontece?

E a Cultura FM de São Paulo, conhecem? No balaio de melhor isso melhor aquilo, é uma grande emissora brasileira. Me faz companhia, é a trilha sonora da minha atenção.

Tarde de respostas, de "obrigados" simples a vocês.

Há uma pessoa de casa que há uma semana uma vez por dia fala em Alberto Caeiro, o heterônimo de Pessoa, tido como o mestre dos outros heterônimos. O poema sobre o Tejo de Caeiro é um achado, faz parte de um fazer poesia auto-referente dos portugueses, desde Sá de Miranda -- comigo me desavim, etc., vejam. Eus e poemas que se auto-espelham. 

Imitando Caeiro, chega, porque senão se vão as respostas diretas que dei a vocês. Vou trabalhar. Abraço,

Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 17h55
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QUEM SABE DE TÁRIK DE SOUZA, ESCRITOR/JORNALISTA?

         Bom escritor, conhecedor de música, que é o assunto sobre o qual escreve, capacidade de interessar o leitor... Porque vocês sabem que há conhecedores que afastam o leitor, não fazem o pensamento chegar bem ao texto. Não é o caso deste cujo paradeiro quero descobrir. Ele é brilhante, rápido, enfrenta bem a emoção que os temas lhe provocam, é intelectualmente limpo, digno.

        Onde anda Tárik de Souza? Há tempo não o vejo em letra de forma em canto nenhum. Quem souber, por favor, me diga, que estará informando sobre um dos melhores, mais interessantes e legíveis críticos musicais do Brasil.

         Sei que morava no Rio de Janeiro. Se está em Harvard, feliz Harvard que o pescou.

         Lembrei-me ao ver matéria que ele escreve sobre Cazuza que alguém me passou, saiu no site Music News de hoje. Que falta faz Tárik, com sua honestidade e competência!

         Minha ocupação primordial e quase única neste mês de julho, provavelmente no de agosto, é gravar meu disco. Os assuntos girarão em torno disso, de música. Portanto, Tárik. Alguém o viu por aí, por escrito ou passeando?

         Abraços,

Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 17h12
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SERVIÇO E AFLIÇÃO

      Olá, pessoal! Esse título aí... Parece que cada palavra vem de um lugar diferente. Serviço é como o pobre chama aquilo que faz -- "vou pro serviço" -- e aflição, bom, é onipresente. Todos entendemos disso, com esse pessimismo inerente que na Bahia procuramos combater com o Eros que permeia as atitudes e latitudes daquele Estado.

       Bom, mas há outro serviço que pode entrar no mesmo universo da palavra aflição. As religiões falam em estar, pôr-se a serviço. E quando se entra em religião, com um bilhete único você chega à aflição, para curar ou entrar nela, dependendo do gosto -- ou da doença.

        Quando tenho disco a fazer e sou obrigado a sair dele, até pra tomar sopa, pra respirar, ir ao dermatologista... olha, qualquer coisa que me tire do disco não é bem-vinda. Saio da necessidade benquista. Sair do que se tem a fazer, daquilo que é seu serviço nesta Terra... é dureza. Pensei em dedicação. É bonito, mas para os que estão perto da gente pode ser aflitivo. E nunca se sabe o que vai ser... 

         Confuso? Acho que não. Sabe, acho que vocês estão entendendo tudo. É pra isso que venho aqui e fico lendo o que vocês dizem.

          Koilon, Luisa, obrigado. Everi, ora viva! Me contaram hoje que você escreveu; só que dum jeito tão cifrado que não houve jeito de saber que era você falando.

          Até logo mais, pessoal.

Tom Zé 



Escrito por Tom Zé às 18h26
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Tatuagem transoceânica

Antes de viajar pra fora de São Paulo, há dois dias, estava nadando na neblina das 5 da tarde, no bairro chamado Sumarezinho. Dois rapazes me pararam, um deles me fotografou há alguns anos para a revista "Caros Amigos" e o outro me disse que ia pros Estados Unidos no dia seguinte, encontrar uma filha chamada Isabel que mora lá e tem minha cara tatuada no braço.

Isabel essa, Isabel Rosa, que está na 4a. ou 5a. mensagem abaixo desta, com foto e tudo, muito bonita, menina que leva adiante seus projetos, que outros preferem chamar de sonhos. Minha mulher comentou a beleza de Isabel, o pai dela concordou, conversamos um pouco, abraços, continuamos andando na neblina das 5 da tarde, num dos hoje raros dias de inverno.

Quem é ponte para quem, nesta relação entre brasileiros e Américas?

Quando voltar a São Paulo vejo se estou devendo comentário pra algum de vocês.

Abraços, povo.

Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 14h06
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DAS finalidades da música

Caros, vocês já notaram como esse "das", anteposto ao assunto, confere um ar totalmente esnobativo? Pois é, tabaréu estranha. Eu sou tabaréu, caipira, como dizem os paulistas. Uma palavrinha bota cartola e sapato caro numa frase. É um horror. Aburguesamento.

Vocês que dizem que no início um disco como "Danç-Êh-Sá" tem lá suas pontinhas, arestas, momentos inusitados, têm razão. Acho ótimo irem adiante, insistirem. Faço isso com as peças em outra língua, e saio bem, com as mãos repletas. Não falo de variações-sobre-o-mesmo-tema, disfarçadas em arranjos. Também valem, mas ainda não é isso.

Uma psiquiatra dizia que música é pra ouvir lavando prato. Na Babilônia, lembro-me da voz de Décio Pignatari dizendo isso, a música acompanhava a coleta do lixo. Acho que ambos falam de uma forma de canto de trabalho. Vale. Mas ainda não é isso. Ainda não é tudo.

Ou você arrosta, tem coragem, tutano, periga errar, ou não. Alguém que só quer ouvir pra lavar prato pode achar chato. Vale a pena arriscar.

E agora vou trabalhar.

Abraços, queridos. Discutir vale a pena. Obrigado a vocês.

Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 11h12
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HAMLET E VOCÊS: PABLO, RODRIGO, DANIEL,

HECTOR, ANSELMO:

Na primeira audição vocês entraram em sintonia com Danç-Êh-Sá, é? (Daniel eu sei que já ouviu antes.) Música sem letra, sem fio melódico ininterrupto, quebrando ritmos, dançando e pulando... é pra gente atenta ao acontecimento musical. Acontecimentos, que gosto de fazer peças em que várias coisas acontecem, e na próxima peça outras, de outra natureza, até, se sucedem. Vamos lá. Que bom que vocês ouviram.

Hector, então volte.

Falando em voltar, fui ver Hamlet, em São Paulo, na sexta-feira. Saí engasgado de vontade de abraçar o elenco todo, e na manhãzinha seguinte viajei, não deu pra esperar que eles viessem, fiquei uns dez minutos e saí sem dar parabéns. Faço isso aqui,darei um jeito de me comunicar com todos.

Que beleza que estão fazendo essa peça, ousando, podendo fazer outra coisa qualquer mas selecionando Hamlet. "O resto é silêncio", "Fragilidade, teu nome é mulher", "Ser ou não ser, eis a questão", "Dorme, doce príncipe", "Veneno, faz o teu trabalho", olhe, na galáxia de citações shakespearianas, Hamlet tem muita participação. O dramaturgo, "o inventor do humano", faz uma tragédia forte, morre gente como quê, tranca a garganta ver a maldade de que somos capazes, pois somos todos aqueles personagens. E o ator que faz o rei Cláudio, é pouco o que ele faz? Parece que estamos ouvindo um político manhoso se justificando, um administrador não querendo dizer o que faz com uma mão e esconde com a outra. Já vimos isso em campanha eleitoral, esse viver da justificativa.

Sem falar de meu conterrâneo, meu neto Wagner Moura, que faz o papel-título. Que maravilha esse suceder de gerações, quando mostra um ator desse tope! Fiquei, ficamos encantados, lá no Teatro da FAAP.  Lembro Anatol Rosenfeld falando de Sérgio Cardoso muito jovem, correndo pelo cenário afora. Que beleza, outra geração, outro Hamlet, outra visão cênica mantendo a força da peça. Parabéns, Aderbal, Wagner, todos vocês.

Se alguém viu a peça, comente comigo, conversando.

Abraços, falo mais de outras coisas depois.

Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 16h36
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NA MTV, NO ORKUT, E EM ÁLBUM VIRTUAL

Já estou voltado para o próximo disco, não é uma questão de pressa, o outro já saiu em 2006. É ritmo, gana que o assunto me dá. Por enquanto vou formulando, quando chegar a hora de parir vocês serão os primeiros a saber.

Curioso é que o disco anterior, esse do fim de 2006, foi relançado agora, captaram um show do Danç-Êh-Sá, o chamado "ao vivo", nunca fiz nada que não fosse vivo. Pois, esse pleonasmo pode ser baixado na Internet de graça. É uma forma de distribuição inventada há pouco. Também virá um dvd do show, passou no Canal Brasil, vocês viram?

Vi umas opiniões de pessoas amigas, um tanto ser-ou-não-ser porque fiz vinhetas pra mtv. E daí? A mtv tem plasticidade suficiente ou não p/ se envolver com vários tipos de artista? Possivelmente, ou m/ vinheta não estaria lá. São rotas que parecem que vão pra Ranchipur e não vão: o ruído que eu faço pode interessar, minha manifestação pode interessar, e aí o espectador diz: mas é isso que estamos acostumados a ver? Não. E se não for, home?

Até logo,

Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 15h13
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ARARAQUARA, 21, SÁBADO

      Sábado espero vocês no Teatro de Arena de Araraquara, às 9 da noite. Vou com a banda e o repertório básico é Danç-Êh-Sá, que a cidade ainda não viu. Será no Teatro de Arena, na Avenida Adhemar Pereira de Barros, em Vila Melhado. Vão lá.

       O show faz parte da XX Semana Luiz Antonio Martinez Correia. Pra quem não sabe, Luiz Antonio era homem de teatro que fazia um trabalho teatral em acelerada evolução, fazia bons musicais. Ele e a família -- é irmão do diretor José Celso, do Teatro Oficina -- são de Araraquara e a cidade marca sua ausência com essas Semanas anuais. Mataram Luiz Antonio no Rio de Janeiro. Vocês sabem da fragilidade, da vulnerabilidade dos homossexuais no tecido da sociedade. É um vetor para a manifestação da escuridão humana, da maldade dos medrosos e confusos. Uma questão sagrada, misteriosa e cruel como é a sexualidade mexe com todos os estratos da cabeça da gente.

         O show será uma manifestação de vida, uma festa de alegria. Só com isso se responde ao erro e ao esquecimento.

         Abraço, pessoal.

Tom Zé



Escrito por Tom Zé às 14h56
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                Pessoal, não entendo bem por que alguém coloca outra pessoa, a imagem dela, ou faz quase-narrativas, reproduz imagens embaixo-em cima da pele. Depois a gente envelhece, a pele ganha o que costureiras chamam (chamavam?) de drapeado, a imagem deve se alterar um pouco ou cria um choque com a imagem do tatuado, não mais o garoto/garota e sim alguém que arrasta seu passado também na tatuagem. Tatuagem é sempre o que você foi, mas aquilo de que você não desiste, acha que não -- quando se tatua.

               Meu disco Com defeito de fabricação está na pele de mais de uma pessoa. E essa menina tão bonita, Isabel, pôs meu gesto no braço dela. Por questão de princípio, tudo indica. Taí, pra vocês conhecerem os dois.

               Tenho trabalhado até!, como dizem os caipiras tão expressivos do interior de São Paulo. Por isso sumi uns dias. Volto já.

               Beijos a vocês todos, também a Isabel.

Tom Zé 

 

 

Olá Neusa,

Eu me chamo Isabel Rosa, tenho 26 anos, moro no Brooklyn em NY, estudo filosofia e trabalho como garçonete. Fiquei fã do Tom Zé aos 14 anos quando ele deu uma palestra/ show na escola onde eu estudava em São
Paulo. Eu amo a música, a poesia e a mentalidade revolucionária de Tom Zé. Eu o admiro ainda mais, enquanto um dos poucos revolucionários a abraçar a causa feminista além da causa contra opressão social. Amo o Tom Zé, ele me faz querer ser uma pessoa mais evoluída. A Tatuagem é no braço, estou mandando umas outras fotos caso você prefira uma dela já cicatrizada.

Obrigada pela atenção,
Um abraço,
Isabel.



Escrito por Tom Zé às 13h18
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REFRÕES DO SHOW DE BH 'INVASÃO DO BRASIL"

PARA O SHOW ‘INVASÃO DO BRASIL’, EM BH, SÁBADO, 7/6

 

DIVULGAÇÃO DE REFRÕES QUE SERÃO CANTADOS

 

Garantem que agora a invasão

será sem batalha e sem canhão.

 

Por isto é que a sobrevivência

depende da arte e da ciência.

 

Mas se a ciência for o truque

teremos os físicos da PUC.

 

Se nos atacarem pelo vento

lutaremos com Milton Nascimento.

 

Se quiserem roubar nosso conforto

teremos por nós o Grupo Corpo.

 

Se comer nosso caju

eu convoco o Pato Fu.

 

Mas se ainda trouxerem carabina

lutamos no Clube da Esquina.

 

Contra metralhadora ou carro-tanque

o Tia Nastácia ou o Skank.

 

Assim venceremos soberanos

com o saber dos nossos veteranos.

 

E pro inimigo fazer macarronada

entregamos a nossa calourada.



Escrito por Tom Zé às 10h22
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"FABRICANDO TOM ZÉ", O FILME EM NYORK

Olá, pessoal, carta que o diretor daquele documentário, "Fabricando Tom Zé", recebeu de exibidora de New York. Lá vai:
 
 
 
Fabricating Tom Zé screening in NYC

Dear Decio,

Last nights screening was a success !
We had a full house and the film played well in the venue which is a performance / club space so it emphasized the concert feel .

The reaction was great  from the audience  which was a mixture of music, film, fashion and art people, Brazilians and non Brazilians.

I wanted to tell you again how much I love the film .  It was my third viewing and I enjoyed it as much as I did the first 2 times !

The editing and sound track are so good and really builds a beautiful aural and visual rhythm which totally captures Tom Ze.
I love how and where in the film you let out the the two stories - the Tom Ze /Tropicália riff and his Montreau  freak out.

Can you send me Letetia's email , which I lost , I want to compliment her on the editing.

Tell me again what the status on the film is ? You are about to release the DVD in Brazil ?

I hope Cinema Tropical can do more with the film and we are thinking of traveling in the US a mini grouping of Brazilian music documentaries.
I'll keep my eyes open for any TV, distribution & or DVD sales possibilities here.   I think I already asked you but did you offer it to ARTE  in France ?

Thanks again for letting us screen the film
Best
Mary Jane







 



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Escrito por Tom Zé às 16h03
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